“A comunicação nem sempre é falada; às vezes, é tecida”: Vanessa Calvimontes abre a IV Jornada Pan-Amazônica
Atualizado: 20 de set.
Em conferência realizada em Parintins, pesquisadora boliviana apresentou os tecidos andinos como linguagens folkcomunicacionais que guardam memórias, organizam identidades de gênero, registram territórios e resistem ao apagamento colonial.
Antes que o tecido chegue ao tear, a comunicação já começou. As lhamas e ovelhas podem ser conduzidas a determinados campos, fontes de água ou tipos de pastagem para que sua lã adquira características específicas. Plantas e minerais são escolhidos para produzir as cores. Os fios são separados, torcidos e distribuídos segundo cálculos realizados pelas tecelãs.
A criação passa pela mente, onde a composição é imaginada; pelo coração, onde estão guardadas as experiências, os afetos e os conhecimentos recebidos; e, finalmente, pelas mãos, responsáveis por transformar tudo isso em matéria.
Até mesmo a direção na qual um fio é torcido pode guardar uma informação. Nos exemplos apresentados durante a conferência, fios preparados de uma maneira eram destinados a peças de uso cotidiano, enquanto outros podiam indicar que o tecido pertencia a uma autoridade da comunidade.
O tecido, portanto, não começa quando as mãos se movimentam sobre o tear. Ele nasce do território, da criação dos animais, da observação da natureza, dos vínculos familiares e das decisões tomadas antes que o primeiro fio seja entrelaçado.
Foi a partir dessa compreensão que a pesquisadora boliviana Vanessa Calvimontes Díaz apresentou a conferência magna de abertura da IV Jornada de Folkcomunicação da Pan-Amazônia, realizada em 22 de junho de 2026, no Instituto de Ciências Sociais, Educação e Zootecnia da Universidade Federal do Amazonas, em Parintins.
Proferida em espanhol, com os slides em português, a conferência discutiu as relações entre comunicação, gênero e culturas populares a partir dos tecidos andinos.
“A comunicação nem sempre é falada; às vezes, é tecida”, afirmou Vanessa, em tradução de sua fala.
Da Bolívia para a “ilha mágica” de Parintins
Nascida em La Paz, Vanessa Calvimontes Díaz é comunicadora social, mestre em Avaliação e Gestão do Patrimônio Cultural e doutoranda em Ciências Sociais, na linha de Antropologia, pela Universidade de Salamanca, na Espanha.
A pesquisadora também está vinculada ao Museu Nacional de Etnografia e Folclore da Bolívia e integra a coordenação do Grupo Temático Folkcomunicação e Interculturalidade da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação.
Ao iniciar a conferência, Vanessa destacou que aquela era sua primeira visita ao Brasil. A viagem tinha como destino justamente Parintins, definida por ela como uma “ilha mágica”.
A conferencista explicou que, embora mais de 80% do território boliviano esteja situado na região amazônica, a imagem do país costuma ser fortemente associada aos Andes. É nesse universo cultural que se concentram muitos de seus estudos.
Para apresentar o tecido como forma de comunicação, Vanessa partiu de uma expressão atribuída à artista, tecelã e pesquisadora boliviana Elvira Espejo Ayca: “Aqui se escreve tecendo”. A frase orientou toda a exposição:
Um tecido pode comunicar?
A pergunta inicial lançada pela pesquisadora foi aparentemente simples: um tecido pode realmente comunicar? Para respondê-la, Vanessa retomou a teoria da folkcomunicação desenvolvida por Luiz Beltrão. O conceito permite observar sistemas de produção, circulação e interpretação de sentidos construídos por grupos subalternizados, frequentemente situados à margem dos discursos e meios hegemônicos.
Os tecidos andinos se enquadram nessa perspectiva porque constituem um sistema autônomo de linguagem. Eles não devem ser compreendidos apenas como artesanato, ornamento ou produto folclórico destinado ao mercado.
Cores, formas, materiais, técnicas e modos de utilização produzem mensagens reconhecidas pelos integrantes das comunidades. Um tecido pode indicar de onde uma pessoa veio, qual posição ocupa, em que etapa da vida se encontra, com quem pode se relacionar e quais acontecimentos marcaram sua trajetória. Também pode registrar paisagens, caminhos, guerras, viagens, alianças e transformações sociais.
Diante da falta histórica de acesso à escrita alfabética — resultado de processos coloniais de exclusão —, os tecidos funcionaram como uma forma de escrita não convencional.
Vanessa aproximou essa prática da semasiografia: uma comunicação realizada por meio de sinais e imagens, sem depender de palavras ou de um alfabeto fonético. A escrita está nos fios.
Conhecimentos que não possuem manual
O aprendizado da tecelagem não acontece por meio de um manual. Ele é transmitido pela prática, pela observação e pela convivência.
Avós, mães e filhas compartilham conhecimentos enquanto cuidam dos animais, preparam os fios, selecionam as cores e utilizam o tear. O saber é recebido pelo corpo, por meio do tato e da repetição dos movimentos.
A transmissão entre gerações transforma a tecelagem em um espaço de integração familiar, mas também em uma política de continuidade da vida comunitária.
“Mais do que simplesmente tecer, são políticas de vida e de sustentação das cosmovisões”, explicou Vanessa.
Esse aprendizado corporificado ajuda a impedir aquilo que a pesquisadora definiu como epistemicídio: a destruição ou deslegitimação de sistemas de conhecimento que não correspondem aos padrões dominantes.
Quando uma língua, uma técnica ou um código visual deixa de ser transmitido, não desaparece apenas uma forma de produzir objetos. Perde-se também uma maneira de conhecer, classificar e comunicar o mundo.
O tecido começa na cabeça, passa pelo coração e chega às mãos
A preparação de uma peça pode envolver um complexo raciocínio matemático.
Antes de iniciar o trabalho, a tecelã precisa calcular a distribuição dos fios, prever os cruzamentos e imaginar como os desenhos aparecerão. Não há uma imagem sendo simplesmente copiada sobre uma superfície pronta. A forma nasce durante o entrelaçamento.
Segundo a explicação apresentada na conferência, o processo começa na mente, onde as proporções e os desenhos são organizados. Depois, passa pelo coração, entendido como lugar dos afetos, das memórias e dos conhecimentos ancestrais.
Por fim, chega às mãos, responsáveis por dar forma material àquilo que foi pensado e sentido. Em determinados momentos, até os pés participam da preparação e da torção dos fios. Essa passagem entre pensamento, afeto e ação mostra que a tecelagem é, simultaneamente, trabalho intelectual, corporal e emocional.
O tecido não é uma superfície vazia sobre a qual se inscreve uma mensagem. Sua própria produção já constitui um ato comunicacional.
Gênero não significa apenas falar sobre mulheres
A conferência também procurou romper com a associação automática entre gênero, mulheres e tecelagem. Vanessa reconheceu a importância das mulheres na transmissão dos saberes têxteis, mas ressaltou que gênero não deve ser tratado como sinônimo de feminino.
Homens e mulheres podem desempenhar funções distintas na criação, no uso e na interpretação das peças. Os tecidos não apenas representam identidades já formadas: participam ativamente da construção das maneiras de ser homem, mulher ou ocupar outras posições dentro de uma comunidade.
A pesquisadora apresentou três exemplos para demonstrar essas relações: o aguayo, os gorros andinos conhecidos como ch’ullus e as faixas utilizadas em diferentes etapas da vida. Cada peça mobiliza corpos, papéis sociais, técnicas e formas específicas de transmissão.
O aguayo como ser vivo e “pele social”
O aguayo — também grafado como awayu — é uma peça de tecido utilizada principalmente pelas mulheres andinas. Pode proteger o corpo como uma manta ou servir para carregar alimentos, flores, produtos e crianças.
Sua produção acontece em grandes teares presos à cintura da tecelã. O corpo da mulher integra, assim, a própria estrutura do instrumento. Nas concepções apresentadas por Vanessa, o aguayo não é entendido como uma matéria inerte. É percebido como um ser vivo que abraça, protege e acompanha a pessoa.
Por isso, cortar um tecido originalmente concebido como uma peça inteira pode representar mais do que uma alteração física. Em certas comunidades, a fragmentação equivale simbolicamente a interromper sua vida.
O tecido funciona como uma “pele social”. Carrega lembranças e estabelece uma relação entre o corpo, a comunidade e o território. Algumas peças registram rios, montanhas, caminhos, animais e formas de organização da paisagem. Vanessa observou que tecidos arqueológicos chegaram a ser utilizados como documentos complementares na defesa de territórios indígenas, justamente porque suas composições preservavam informações sobre os lugares onde haviam sido produzidos.
O território não aparece apenas representado no tecido. Ele também está materialmente presente na lã, na água, nas plantas utilizadas para tingir e nas técnicas desenvolvidas pela comunidade.
Homens também tecem
O segundo exemplo apresentado foram os gorros andinos, frequentemente produzidos pelos homens. Diferentemente dos grandes tecidos feitos nos teares, os gorros podem ser confeccionados com agulhas. Seus desenhos registram viagens, conflitos, alianças, paisagens e acontecimentos vividos por seus produtores.
Em algumas peças, aparecem escudos nacionais, soldados, armas, motocicletas e veículos. São imagens incorporadas por homens que deixaram as comunidades para participar de guerras, trabalhar nas cidades ou conhecer outros espaços e, quando retornaram, registraram essas experiências nos gorros.
A cabeça possui um significado especial. Os gorros podem estar relacionados à autoridade e à representação da comunidade. Ao produzir um gorro para o filho, um homem não entrega somente uma peça de proteção. Procura transmitir conhecimentos, energias e características que deseja ver desenvolvidas pela criança.
“Os homens guardam as memórias na cabeça e as expressam por meio dessas mensagens”, explicou Vanessa. Detalhes aparentemente pequenos também comunicam. Um acabamento branco na base do gorro, por exemplo, pode indicar que quem o utiliza ainda é uma criança e não ingressou plenamente nas responsabilidades da vida adulta.
Faixas que acompanham do nascimento à morte
As faixas foram apresentadas como peças compartilhadas por homens e mulheres e utilizadas em diferentes momentos do ciclo da vida.
Nos exemplos analisados pela pesquisadora, as cores podem informar posições sociais e condições de relacionamento. Tons vermelhos aparecem associados a mulheres em idade fértil, enquanto azuis e verdes podem identificar peças masculinas.
Esses códigos não devem ser universalizados para todos os povos andinos. Eles pertencem a sistemas culturais específicos e precisam ser interpretados em seus respectivos contextos.
A faixa também se relaciona ao nascimento. Em determinadas concepções andinas, a placenta é entendida como a primeira faixa que envolve e protege a criança. Após o nascimento, o corpo do bebê é novamente envolvido para ajudá-lo a crescer e ingressar progressivamente na vida social.
A peça acompanha ainda a gravidez, quando pode ser utilizada como proteção para a mãe e a criança, e reaparece na morte. Corpos podem ser envolvidos em tecidos para conservar a força desenvolvida ao longo da vida e auxiliar a pessoa falecida em sua viagem até os ancestrais.
Em usos rituais, os tecidos também participam da comunicação entre humanos, mortos, forças naturais e outras entidades. Podem ser empregados em práticas relacionadas à chuva, aos ventos e aos fenômenos atmosféricos. A comunicação, nesse caso, ultrapassa a relação entre seres humanos.
A chola paceña como agente folkcomunicacional
Na parte final da conferência, Vanessa acompanhou o deslocamento dos tecidos do campo para a cidade. A personagem central desse movimento foi a chola paceña, mulher identificada por elementos como a pollera, a manta, o chapéu e o uso do aguayo.
Durante muito tempo, essas mulheres enfrentaram processos de racismo e discriminação. Suas roupas eram relacionadas à pobreza, à sujeira e a uma suposta ausência de modernidade.
Apesar disso, a chola transportou os tecidos e seus sentidos para os espaços urbanos. Passou a ocupar mercados, festas, instituições, atividades econômicas, produções culturais e ambientes políticos.
Vanessa propôs compreender a chola paceña como agente folkcomunicacional: alguém que faz circular saberes, imagens e identidades entre diferentes territórios sociais.
“Quando vemos uma mulher carregando seu bebê em um aguayo, ela não está carregando apenas uma criança. Está carregando uma identidade e toda a memória que traz desde suas origens”, afirmou.
Quando a moda corta o tecido, o que mais é cortado?
A valorização urbana criou novas possibilidades para os tecidos andinos, mas também trouxe conflitos. A indústria da moda passou a utilizar cores, grafismos e fragmentos de aguayos em casacos, vestidos, bolsas e outras peças. Tecidos originalmente concebidos como unidades inteiras foram cortados, desfiados e reorganizados segundo padrões comerciais.
Na perspectiva das comunidades que compreendem o tecido como ser vivo, a fragmentação representa uma ruptura profunda. Há também produtos que apenas imitam a aparência dos tecidos. Materiais industriais reproduzem linhas coloridas sem empregar as técnicas, os fios, as tinturas ou os códigos presentes nas peças originais. O tecido se torna uma estampa.
Vanessa definiu esse processo como um “esvaziamento semiótico”. A imagem ganha visibilidade, mas perde parte de seus sentidos territoriais, históricos e comunitários.
As cores deixam de indicar posições ou etapas da vida. Os desenhos já não registram narrativas. A matemática dos fios é substituída por padrões simplificados. O conhecimento da tecelã desaparece atrás de uma aparência considerada étnica, artesanal ou exótica.
Visibilidade política também pode esvaziar sentidos
A política boliviana também incorporou elementos dos tecidos andinos. Durante os governos de Evo Morales, peças inspiradas nas tradições indígenas apareceram em trajes oficiais e foram oferecidas a autoridades estrangeiras. Essa presença ampliou a visibilidade internacional das culturas originárias e colaborou para consolidar os tecidos como símbolos nacionais. A conferencista, entretanto, questionou o que acontece quando a adaptação prioriza a aparência e abandona os sentidos da peça.
Um dos exemplos foram os gorros de quatro pontas associados a antigas sociedades andinas. As peças originais eram pequenas e estavam relacionadas também a práticas de modificação craniana existentes naquele período.
Ao serem reproduzidos para autoridades contemporâneas, os gorros precisaram ser ampliados e adaptados. A forma geral permaneceu reconhecível, mas a relação com o corpo, a posição social e a estética original foi modificada. O dilema não possui uma resposta simples.
A presença dos tecidos na moda e na política pode combater a estigmatização e reconhecer identidades antes desprezadas. Ao mesmo tempo, pode transformar sistemas complexos de comunicação em símbolos genéricos de identidade nacional. Símbolos de resistência ou formas de poder sem sentido e sem voz?”, questionou Vanessa.
Usar um tecido não basta para valorizá-lo
Durante o debate, o professor Charles Maciel Falcão destacou a metáfora do tecer como ligação, costura e aproximação. Para ele, produzir e vestir uma peça materializa encontros, conversas, memórias e processos identitários. Mesmo sem palavras, o tecido torna presente um discurso de resistência.
Vanessa concordou, mas chamou a atenção para uma distinção importante: a resistência não começa no momento em que alguém veste a peça. Ela já está no pastoreio, na retirada da lã, na escolha da água e das plantas, na preparação dos fios, na matemática do tear e na transmissão entre as gerações.
Usar um tecido sem reconhecer essa cadeia de conhecimentos pode produzir visibilidade, mas não necessariamente valorização. “O uso do tecido não é reivindicativo por si mesmo se não se reconhece todo o trabalho e o conhecimento que vêm por trás”, afirmou.
A concorrência das imitações industriais
A professora Karina Janz Woitowicz perguntou sobre o reconhecimento patrimonial dos tecidos e a possibilidade de fortalecer organizações de artesãos e iniciativas de economia solidária.
Vanessa explicou que a comercialização criou dois problemas principais.
O primeiro é a simplificação. Para atender rapidamente ao mercado, algumas peças passam a utilizar cores industriais, desenhos mais simples e materiais diferentes daqueles empregados tradicionalmente.
O segundo é a concorrência das imitações produzidas em escala industrial. Segundo a pesquisadora, tecidos com padrões bolivianos chegam a ser fabricados na China e vendidos por preços inferiores aos cobrados pelas tecelãs.
Uma peça original reúne meses de trabalho, criação dos animais, preparação da lã, tingimento, cálculos, conhecimentos iconográficos e memória comunitária. O produto industrial reproduz parte de sua aparência, mas não carrega essa trajetória.
Instituições como o Museu Nacional de Etnografia e Folclore da Bolívia vêm procurando trabalhar diretamente com as tecelãs e oferecer peças inteiras ao público. Ainda assim, permanece o desafio de competir com mercadorias mais baratas e de ampliar políticas públicas que valorizem os produtores.
As pequenas conquistas também exigem vigilância
No encerramento do debate, o professor Allan Rodrigues aproximou as questões bolivianas do contexto de Parintins. Grafismos, roupas, danças, toadas e rituais indígenas também podem ser simplificados quando passam a integrar a indústria cultural e o espetáculo dos bois-bumbás.
Em alguns momentos históricos, ocupar um pequeno espaço na arena ou na mídia já representava uma conquista para a visibilidade indígena. Atualmente, porém, torna-se necessário aprofundar o debate sobre autoria, participação e respeito aos conhecimentos mobilizados. Vanessa reconheceu a importância dessas conquistas, mas observou que a abertura do mercado também pode estimular produções mais rápidas.
Diante da possibilidade de vender tecidos, algumas famílias passaram a confeccionar peças menos complexas. Filhas deixaram de aprender determinados desenhos, e avós já não conseguiram transmitir conhecimentos acumulados durante décadas. A cultura é dinâmica, ressaltou a pesquisadora. Por isso, as estratégias de existência e reexistência precisam ser constantemente reavaliadas.
Escutar os fios
Ao terminar a conferência, Vanessa retomou a pergunta feita no início.
Depois de acompanhar os códigos das cores, as memórias dos gorros, a proteção dos aguayos, o ciclo de vida das faixas e as disputas provocadas pela moda e pela política, já não parecia necessário perguntar se um tecido poderia comunicar.
A questão havia mudado.
“A pergunta final talvez não seja se os tecidos comunicam, mas por quanto tempo nos recusamos a escutar os fios e as vozes dessas outras narrativas”, provocou.
A conferência de abertura da IV Jornada Pan-Amazônica mostrou que reconhecer os tecidos como linguagem não é apenas ampliar o conceito de comunicação.
É reconhecer como conhecimento aquilo que durante séculos foi classificado apenas como artesanato. É perceber que a memória pode estar guardada em materiais, cores e movimentos. É compreender que o território também escreve e que os corpos aprendem a ler antes mesmo de conhecer qualquer alfabeto.
Nas mãos das tecelãs e dos tecelões andinos, cada fio pode ser uma palavra, cada cruzamento pode registrar uma relação e cada peça pode constituir um arquivo vivo.
A comunicação nem sempre é falada. Às vezes, para que uma história continue existindo, ela precisa ser tecida.




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