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Thífani Postali e Vanessa Calvimontes participam de assembleia geral da ALAIC

Vice-coordenadoras do GT de Folkcomunicação e Interculturalidade acompanharam discussões sobre a revisão do regulamento, inclusão, condições de participação dos pesquisadores e sede do congresso de 2028


A Rede Folkcom esteve representada na Assembleia Geral da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação (ALAIC), realizada nesta segunda-feira, 31 de agosto. Thífani Postali, da Universidade de Sorocaba, e Vanessa Calvimontes Díaz, pesquisadora boliviana vinculada à Universidade de Salamanca e ao Museu Nacional de Etnografia e Folclore da Bolívia, participaram do encontro, convocado para as 13h30, com segunda chamada às 14h, no horário de Brasília.


As duas pesquisadoras são vice-coordenadoras do GT 1 — Folkcomunicação e Interculturalidade, ao lado de Cristian Yáñez Aguilar, da Universidad Austral de Chile. Thífani também integra a Rede Folkcom como diretora científica da gestão 2026–2028.


A assembleia discutiu mudanças no regulamento da associação, dificuldades enfrentadas pelos associados de diferentes países e os próximos eventos da ALAIC. Também foi apresentada a candidatura de Santiago, no Chile, para receber o Congresso Latino-Americano de Investigadores da Comunicação em 2028. A escolha, porém, ainda não foi oficializada.


Folkcomunicação na estrutura da ALAIC

A participação de Thífani e Vanessa ocorre em um momento de ampliação do GT de Folkcomunicação e Interculturalidade. No XVIII Congresso da ALAIC, realizado em julho de 2026, em Monterrey, no México, o grupo reuniu 21 trabalhos distribuídos entre uma sessão presencial e três encontros virtuais.


Vanessa e Thífani coordenaram duas das atividades on-line. A primeira reuniu pesquisas sobre muralismo, hip-hop, religiosidade, memória funerária e festas populares. A segunda aproximou a Folkcomunicação dos debates sobre cinema, redes sociais, inteligência artificial, saúde e jogos digitais. O balanço completo foi publicado pela Rede Folkcom na matéria “Do barroco missioneiro à inteligência artificial, Folkcomunicação reúne 21 trabalhos na ALAIC 2026”.


Na estrutura da ALAIC, o GT recebe pesquisas sobre as relações entre comunicação, interculturalidade, culturas populares e práticas socioculturais. Sua ementa inclui tanto manifestações como cordel, dança, cerâmica e ex-votos quanto suas reconfigurações contemporâneas em slams, grafites, rap, memes, vídeos para plataformas digitais e novas formas de ritualidade nas redes.


Regulamento deve explicitar o perfil de pesquisa

Um dos principais pontos da reunião foi a revisão do regulamento interno da ALAIC. Entre as sugestões discutidas está a substituição, em trechos do documento, da referência genérica a “comunicadores” por uma formulação centrada em “pesquisadores”.


A proposta não representa uma mudança no nome da entidade, que já se apresenta oficialmente como Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação. O objetivo é tornar o texto do regulamento coerente com essa identidade e explicitar que a participação de pessoas e instituições deve estar relacionada à pesquisa em Comunicação.


Os participantes também concordaram que a pesquisa, as questões de gênero e a inclusão não devem aparecer apenas em artigos isolados. Esses princípios deverão atravessar integralmente o documento, orientando critérios de participação, direitos dos associados e formas de organização das atividades.


O texto ainda não está concluído. Os associados poderão encaminhar novas observações até segunda-feira, 7 de setembro. As pessoas responsáveis pela revisão deverão apresentar uma versão consolidada na reunião marcada para 23 de setembro.


Participar de congressos também exige reconhecimento

Outro debate tratou das dificuldades encontradas por pesquisadores para participar dos eventos científicos. Foi proposta a elaboração de um comunicado da ALAIC dirigido às universidades e aos órgãos responsáveis pela avaliação acadêmica.


O documento deverá defender que a participação em congressos volte a ser considerada nas avaliações dos pesquisadores. Também deverá solicitar que as instituições ofereçam condições para essa presença, como autorizações de viagem, afastamento das atividades regulares e incentivos financeiros ou administrativos.


Durante a assembleia, foi observado que a perda de reconhecimento institucional dos congressos tem reduzido a participação de profissionais e desestimulado novas associações. A questão envolve pesquisadores que precisam custear deslocamento, hospedagem e inscrição sem apoio das universidades, além daqueles que não conseguem autorização para se afastar de suas atividades.


O pedido procura reconhecer os congressos como espaços de circulação de pesquisas em andamento, formação de redes internacionais e discussão coletiva dos rumos do campo da Comunicação.


Pagamentos encontram barreiras entre os países

A manutenção da ALAIC também foi discutida a partir das dificuldades para o pagamento das mensalidades. As alternativas atualmente disponíveis, como PayPal e Pix, não atendem igualmente aos associados distribuídos pelos diferentes países da América Latina.


O Pix depende do sistema bancário brasileiro, enquanto o acesso ao PayPal varia conforme o país. Os pesquisadores também relataram os custos das taxas bancárias e das operações internacionais, que podem tornar o pagamento desproporcionalmente caro em relação ao valor da própria contribuição.


A situação interfere diretamente na capacidade de a ALAIC ampliar sua base de associados. Uma plataforma adequada precisa considerar moedas, sistemas financeiros e condições econômicas distintas, sem transferir aos pesquisadores o peso das tarifas internacionais.


Santiago é a opção mais provável para 2028

A assembleia recebeu uma solicitação formal para que Santiago, no Chile, seja escolhida como sede do Congresso da ALAIC em 2028. A candidatura foi apresentada como a opção mais provável, mas a decisão oficial deverá ocorrer somente em 23 de setembro.


Caso seja confirmada, a associação voltará à capital chilena depois de 28 anos. De acordo com o histórico dos congressos da ALAIC, Santiago sediou a quinta edição do encontro, em 2000. A reunião de setembro também deverá abordar as próximas escolas de verão e o crescimento dos grupos de interesse e de trabalho. As discussões integram a reorganização da associação após o congresso de Monterrey e procuram ajustar sua estrutura à expansão das redes de pesquisa em diferentes países latino-americanos.

 
 
 

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