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Mulheres Potiguares na Ciência: Júnia Martins conquista segundo lugar

há 22 horas
2 min de leitura

Diretora da Regional Nordeste da Rede Folkcom foi reconhecida por sua trajetória de pesquisa. Criado em 2025, o tributo valoriza a participação feminina na ciência.


Professora do Departamento de Comunicação Social da UERN e diretora da Regional Nordeste da Rede Folkcom, Júnia Martins conquistou o segundo lugar em Humanidades no Tributo Mulheres Potiguares na Ciência 2026. Criada em outubro de 2025, a iniciativa busca reconhecer as contribuições das pesquisadoras e incentivar meninas e mulheres a seguir a carreira científica. Também pretende ampliar a presença feminina em áreas historicamente ocupadas por homens e fortalecer seu protagonismo na produção de conhecimento no semiárido nordestino.


Júnia concorreu na categoria Raízes Científicas, destinada a pesquisadoras com doutorado. A homenagem prevê menção honrosa, certificado e divulgação institucional. O reconhecimento considera a trajetória científica das candidatas, com avaliação da produção acadêmica, da formação de pesquisadoras e das perspectivas de contribuição futura. O edital exigiu a apresentação de memorial descritivo e currículo Lattes atualizado, entre os documentos de inscrição. Na categoria Raízes Científicas, também foram considerados a motivação para seguir a carreira e o potencial de avanço da ciência no estado.


A tese de doutorado da pesquisadora integra sua trajetória de pesquisa sobre comunicação, culturas populares e resistência. Júnia defendeu ainda em 2025, no PPG de Estudos da Mídia da UFRN. Sob orientação de Itamar Nobre, desenvolveu o trabalho Muros que falam: mídias marginais urbanodigitais em contexto de necrogovernabilidade no Brasil (2019 a 2022).


O estudo reuniu mensagens de grafites, pichações e lambe-lambes fotografados em cidades brasileiras durante o governo de Jair Bolsonaro. Os registros foram publicados nos perfis @olheosmuros e @faltarte, no Instagram, entre 2019 e 2022. A pesquisadora combinou análise de conteúdo e análise crítica do discurso para investigar as reações ao cenário político e as denúncias de violência contra grupos socialmente minorizados.


Entre os resultados, destacou-se a predominância da linguagem poética e afetiva no enfrentamento aos discursos de ódio. A poesia foi o gênero discursivo mais presente nas mensagens analisadas. O amor apareceu como um conteúdo que atravessava diferentes temas de resistência às políticas de morte.


O conceito de mídia marginal urbanodigital ajuda a compreender esse trânsito entre a cidade e as plataformas. Uma frase inscrita em um muro participa da experiência de quem passa pela rua, mas alcança outros públicos quando é fotografada e compartilhada. O registro pode permanecer acessível mesmo depois de a intervenção original ser apagada, criando novas condições de circulação e leitura.


Júnia apresentou essa discussão na abertura do curso Iniciação à Folkcomunicação — Mídias, Culturas Populares e Outras Epistemologias. Na atividade, aproximou a teoria de Luiz Beltrão das intervenções urbanas e de suas conexões digitais. A abordagem mostra como grupos marginalizados constroem meios próprios para interpretar acontecimentos, denunciar injustiças e disputar sentidos sobre a vida coletiva.

 
 
 

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