Osvaldo Trigueiro revisita Cruz da Menina em sua terra natal
Atualizado: 7 de out.
Retorno ao santuário paraibano recupera a memória de uma visita com Luiz Beltrão e Roberto Benjamin, em 1976, e a trajetória dos estudos sobre ex-votos

O pesquisador Osvaldo Meira Trigueiro voltou à Cruz da Menina, em Patos (PB), neste fim de semana. Ele participou da festa de Nossa Senhora da Guia, padroeira do município. O retorno ao espaço de devoção também recupera um encontro importante na história da Folkcomunicação. Há cinco décadas, ele visitou o local acompanhado de Luiz Beltrão e Roberto Benjamin.
“Estou em Patos-PB, o meu torrão, para participar da festa de N. S. da Guia”, compartilhou Trigueiro. Ao anunciar a visita, definiu a Cruz da Menina como um lugar essencial de pagamento de promessa do sertão nordestino. Ele recordou: “Em 1976 estive com Luiz Beltrão e Roberto Benjamin visitando a sala dos ex-votos”.
A ligação entre o pesquisador e o santuário está registrada no artigo A cata das promessas: o ex-voto como veículo folkcomunicacional, publicado em 2021. Nele, Trigueiro rememora histórias de curas ouvidas desde a infância. Ele relata que, em 1973, uma visita com Benjamin contribuiu para transformar aquela experiência de devoção em interesse de pesquisa.
Uma parada no caminho de Pombal
O relato situa o encontro de 1976 em outubro. Isso ocorreu durante uma viagem de João Pessoa a Pombal, sede do I Encontro de Folclore da Paraíba. Beltrão pediu para conhecer a Cruz da Menina. A comitiva viajava numa Kombi e incluía Altimar Pimentel e Bráulio do Nascimento.
“Todos ficaram impressionados com os ex-votos depositados na pequena sala das promessas da Cruz da Menina”, escreveu Trigueiro. Segundo ele, Beltrão e Bráulio ressaltaram a necessidade de preservar o acervo para pesquisas futuras.
No ano seguinte, Trigueiro recolheu, com autorização da zeladora, peças que seriam queimadas por falta de espaço. O pesquisador relata que coleções reunidas no local passaram a integrar os acervos do Núcleo de Pesquisa e Documentação da Cultura Popular da UFPB e do Museu do Folclore Edison Carneiro, no Rio de Janeiro.
A Cruz da Menina nos estudos de Folkcomunicação
Antes daquela viagem, a Cruz da Menina já aparecia em “O ex-voto como veículo jornalístico”, artigo publicado por Luiz Beltrão em 1965. Ao discutir os espaços onde acontecimentos trágicos dão origem à devoção, o autor reproduz uma passagem de Luís Saia sobre o então chamado Cruzeiro da Menina, em Patos. A referência integra sua reflexão sobre a capacidade dos ex-votos de comunicar acontecimentos e experiências populares.
Roberto Benjamin também menciona Francisca, da Cruz da Menina, no artigo Devoções populares não-canônicas na América Latina: uma proposta de pesquisa, integrante da edição de 2003 da Revista Internacional de Folkcomunicação. A referência aparece em um levantamento de santos populares recuperado de Câmara Cascudo.
Ao analisar os processos comunicacionais dessas devoções, Benjamin observa: “A prática mais tradicional da comunicação, nas devoções populares, é a entrega do ex-voto”. Para o pesquisador, o objeto oferecido torna pública a graça alcançada. Isso comunica a experiência a outros visitantes e contribui para a circulação da devoção.
A Importância dos Ex-Votos
Os ex-votos são mais do que simples objetos. Eles representam promessas cumpridas e gratidão. Cada ex-voto conta uma história única. Essas histórias são fundamentais para entender a cultura popular. Elas revelam as esperanças e os desafios enfrentados pelas pessoas.
A prática de oferecer ex-votos é uma forma de manter viva a tradição. Ela conecta gerações. Além disso, os ex-votos ajudam a preservar a memória coletiva. Eles são testemunhos de fé e devoção.
Conclusão
O retorno de Trigueiro à Cruz da Menina é um lembrete da importância da pesquisa em folkcomunicação. Ele nos mostra como a devoção popular é rica em significados. A história dos ex-votos é uma parte vital dessa tradição.
Acredito que a pesquisa e a valorização da comunicação popular são essenciais. Elas ajudam a fortalecer a identidade cultural. Assim, podemos entender melhor nossas raízes e tradições.
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