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Alberto Perdigão leva estudo folkcomunicacional sobre Belchior à Bienal de São Paulo

Membro da Rede Folkcom apresentará pesquisa que compara nove livros biográficos e 19 folhetos de cordel dedicados ao cantor cearense


O jornalista e pesquisador Alberto Perdigão levará à 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo uma pesquisa sobre as diferentes imagens construídas em torno da vida e da obra de Belchior. A apresentação de Belchior: a construção de um mito na literatura de cordel será realizada no dia 9 de setembro, das 13h às 14h, no Espaço Cordel e Repente, com a participação de Meire Moura.


Publicado pela RDS Editora, o livro reúne uma investigação situada no campo da Folkcomunicação. Perdigão compara a representação do compositor cearense em nove livros biográficos e 19 folhetos de cordel, observando como esses dois conjuntos narram episódios da trajetória do artista, interpretam suas canções e lidam com as lacunas que cercaram seus últimos anos de vida. O encontro integra a programação oficial da Bienal, que acontece de 4 a 13 de setembro, no Distrito Anhembi, em São Paulo.


O Belchior real e o Belchior inventado

A pesquisa analisa 28 narrativas biográficas produzidas em suportes distintos. De um lado estão os livros publicados sobre Belchior, geralmente apoiados em entrevistas, documentos e reconstruções jornalísticas. Do outro aparecem os folhetos, nos quais os acontecimentos passam pela métrica, pela rima, pelo imaginário popular e pelas convenções próprias da literatura de cordel.


O trabalho não procura determinar qual dessas versões seria definitiva. A proposta é compreender como cada meio seleciona acontecimentos e oferece sentidos para a vida do compositor. O período em que Belchior permaneceu afastado da imprensa, por exemplo, alimentou interpretações sobre desaparecimento, fuga e abandono da carreira, transformando-se em um dos principais núcleos da construção pública do personagem.


Nos cordéis, o artista aparece como poeta, profeta, andarilho, rebelde e representante do Nordeste. Sua trajetória é aproximada de figuras heroicas, religiosas e lendárias, enquanto a morte e o afastamento dos palcos ganham novos significados. “No cordel, Belchior é romantizado, nordestinizado e elevado ao céu, como é muito próprio da literatura de cordel”, explicou Perdigão em entrevista concedida durante o lançamento da obra.


Dividido em seis capítulos, o livro também reproduz integralmente os 19 folhetos examinados. O leitor pode, assim, acompanhar as fontes que sustentam a análise e perceber as diferenças entre os poetas na escolha dos episódios, das imagens e dos atributos ligados a Belchior.


Cordel e repente ganham espaço próprio

A presença do livro na Bienal ocorre em uma edição que reservou um espaço específico para o cordel e o repente. A programação combina lançamentos, recitais, declamações, oficinas e cantorias, aproximando a produção editorial das formas orais e performáticas que acompanham essas manifestações.


Entre as atividades anunciadas estão o Show de repente — viola e cantoria, com Geivan e Almir Ferreira; os Recitais de cordéis; e uma declamação apresentada por Anthony Feitosa, jovem cordelista de Aiuaba, no Ceará.


Também haverá encontros que aproximam o cordel de outras linguagens e obras literárias. João e Maria na Casa de Rapadura Cordrinho estabelece um diálogo entre folheto e história em quadrinhos, enquanto Cordéis e veredas parte de Grande Sertão: Veredas para discutir sertão, linguagem e memória.


Embora as atividades não sejam apresentadas pela Bienal sob a denominação de Folkcomunicação, elas trabalham com processos centrais ao campo: a transmissão de conhecimentos por meios populares, a oralidade, a performance, a circulação de memórias e a reelaboração coletiva de personagens e acontecimentos.


A apresentação de Perdigão acrescenta a essa programação uma reflexão sobre o folheto como meio de comunicação. Os cordéis analisados não apenas homenageiam Belchior. Eles informam, comentam, interpretam e disputam os sentidos atribuídos à sua trajetória.

 
 
 

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