“A realidade não tem dois lados. A realidade tem muitos lados”: Márcia Guena cobra jornalismo antirracista na Folkcom 2023
- Andriolli Costa
- há 1 dia
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Na abertura da XXI Conferência Brasileira de Folkcomunicação, pesquisadora criticou a reprodução de versões policiais, discutiu a concentração dos meios, alertou para o racismo algorítmico e apresentou experiências de comunicação negra, indígena e quilombola.
Armas e drogas apreendidas aparecem enfileiradas sobre uma mesa. O boletim de ocorrência é reproduzido como a principal versão dos acontecimentos. Pessoas mortas são reduzidas a números, enquanto autoridades policiais ocupam o centro da narrativa. Para a professora Márcia Guena dos Santos, a repetição dessa cena nos telejornais evidencia um problema que ultrapassa uma reportagem isolada: a comunicação brasileira ainda participa da naturalização da violência racial.
“A gente não escuta dois lados. A realidade não tem dois lados. A realidade tem muitos lados”, afirmou a pesquisadora durante a conferência “Racismo na comunicação: até quando?”, realizada na abertura da XXI Conferência Brasileira de Folkcomunicação.
A atividade aconteceu na noite de 17 de agosto de 2023, no Museu de Arte da Bahia, em Salvador. A conferência marcou o encerramento do III Colóquio A Arte e o Patrimônio Cultural e a abertura oficial da Folkcom 2023, que prosseguiu nos dias seguintes no Centro de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, em Cachoeira.
Com o tema “Processos folkcomunicacionais e ativismos antirracistas”, a edição de 2023 colocou as relações raciais no centro dos debates da Rede Folkcom. A programação oficial reuniu pesquisadores, estudantes, comunicadores, artistas, mestres dos saberes populares e representantes de comunidades tradicionais.
Jornalista formada pela Universidade de São Paulo, doutora em História pela Universidade Complutense de Madrid e professora do curso de Jornalismo em Multimeios da Universidade do Estado da Bahia, em Juazeiro, Márcia Guena coordena o grupo RHECADOS — Hierarquizações Raciais, Comunicação e Direitos Humanos — e o GP Comunicação Antirracista e Pensamento Afrodiaspórico da Intercom.
A conferência também acompanhou o lançamento do livro “Racismo na comunicação: até quando?”, organizado por Márcia Guena e Ceres Santos. A obra reúne 17 artigos produzidos a partir de mais de uma década de pesquisas sobre jornalismo, relações raciais, comunidades quilombolas e comunicação antirracista.
A violência que o jornalismo ajuda a naturalizar
Márcia começou a conferência evocando o poema “Certidão de óbito”, de Conceição Evaristo. A escolha introduziu uma reflexão sobre a continuidade histórica da violência contra a população negra, desde o tráfico transatlântico e a escravização até as mortes provocadas pelas forças de segurança no presente.
A pesquisadora questionou a linguagem utilizada na cobertura de operações policiais. Expressões como “morreram em troca de tiros”, frequentemente reproduzidas sem investigação independente, podem funcionar como encerramento antecipado da apuração. Em vez de perguntar o que aconteceu, quem são as vítimas, quais testemunhas estavam presentes e se os procedimentos legais foram respeitados, parte do jornalismo aceita o relato institucional como verdade suficiente.
Alguns veículos, observou, acabam funcionando quase como assessorias de comunicação dos órgãos de segurança. Exibem armas e drogas como troféus, repetem boletins policiais e deixam em segundo plano as histórias das pessoas mortas, de suas famílias e das comunidades atingidas.
“É você abrir, aceitar o boletim de ocorrência, mostrar armas e drogas que foram apreendidas como troféus, e ali tem uma infinidade de corpos mortos”, criticou.
O problema não está somente em uma palavra inadequada ou em uma imagem mal escolhida. A ausência de contexto transforma acontecimentos ligados a estruturas históricas em episódios aparentemente isolados. Sem a dimensão racial, social e territorial, a violência passa a ser percebida como parte inevitável da rotina.
O jornalismo antirracista, portanto, não consiste apenas em contratar profissionais negros ou publicar matérias no mês de novembro. Ele exige apuração rigorosa, diversidade de fontes, contextualização histórica e disposição para desconfiar das versões produzidas por instituições que também precisam ser fiscalizadas.
Quem decide o que será notícia?
Para responder por que determinadas narrativas permanecem dominantes, Márcia deslocou o olhar do conteúdo publicado para as instituições que controlam a comunicação.
Inspirada no conceito de “pacto da branquitude”, de Cida Bento, a pesquisadora discutiu como empresas, universidades, redações e instituições públicas reproduzem formas de funcionamento que favorecem perfis semelhantes em seus espaços de decisão.
A desigualdade não se manifesta apenas em atos declaradamente racistas. Ela aparece na escolha de quem será contratado, promovido, ouvido como especialista ou reconhecido como liderança. Repete-se quando jornalistas negros estão presentes nas redações, mas permanecem afastados das chefias, da definição das pautas e das decisões editoriais.
Um programa de televisão pode aumentar a presença de atores e apresentadores negros sem modificar as estruturas que determinam quem escreve, dirige, contrata e distribui os recursos. Por isso, Márcia ressaltou que a representatividade possui importância, mas precisa alcançar os lugares de poder.
Ao recordar a retrospectiva dos 50 anos do programa Fantástico, exibida em 2023, a professora observou como a presença negra na televisão brasileira era reduzida durante grande parte da história do programa. A lembrança da Xuxa, por sua vez, mostrou como um produto aparentemente destinado a todas as crianças podia apresentar um universo no qual meninas negras dificilmente se reconheciam.
A tela não apenas mostrava quem era considerado bonito, bem-sucedido ou digno de protagonismo. Também ensinava quem poderia ocupar esses lugares.
Concentração dos meios limita a diversidade
A permanência das mesmas perspectivas também está relacionada à concentração dos meios de comunicação. Márcia retomou o conceito de “coronelismo eletrônico”, trabalhado por Suzy dos Santos, para explicar como antigas estruturas de poder político e econômico foram transferidas para o controle de rádios, emissoras de televisão e outros veículos.
Quando poucos grupos controlam os principais meios de circulação de informação, a diversidade da população não encontra correspondência na diversidade das decisões editoriais.
Para haver transformação, argumentou a pesquisadora, não basta trocar alguns rostos diante das câmeras. É necessário distribuir poder, permitir alternância nas posições de comando e democratizar o controle da comunicação.
A promessa inicial de que a internet resolveria esse problema também não se realizou plenamente. Embora tenha aberto espaços para novos produtores, coletivos e veículos independentes, a rede passou a ser organizada por grandes plataformas internacionais.
Google, Meta, Microsoft, Apple e outras corporações estabelecem regras, classificações e modelos algorítmicos que interferem no acesso às informações. Os proprietários e desenvolvedores dessas tecnologias, lembrou Márcia, não produzem suas lógicas a partir das experiências culturais da América Latina, das comunidades indígenas, dos terreiros ou dos territórios quilombolas.
A antiga concentração dos meios, assim, passou a conviver com uma nova concentração: a das plataformas, dos dados e dos sistemas de inteligência artificial.
O racismo também aprende com os dados
Um dos momentos mais atuais da conferência tratou do racismo algorítmico. A partir das pesquisas de Tarcízio Silva, Márcia explicou que os algoritmos não são instrumentos neutros ou objetivos.
Todo sistema é desenvolvido por pessoas e instituições que escolhem os dados, estabelecem categorias e definem quais resultados serão considerados relevantes. Quando os bancos de dados reproduzem desigualdades históricas, as máquinas podem automatizar e ampliar essas mesmas desigualdades.
A professora propôs um exemplo simples, que pode ser observado no cotidiano: procurar em um mecanismo de busca expressões como “mulher bonita”. Durante muito tempo, os resultados apresentaram majoritariamente mulheres brancas. A questão, para Márcia, é descobrir quem ensinou ao sistema que aquele deveria ser o padrão de beleza.
Ela também recordou o caso da Tay, chatbot lançado pela Microsoft em 2016 para interagir com jovens no Twitter. Em poucas horas, o sistema começou a publicar mensagens racistas, misóginas e negacionistas, reproduzindo conteúdos com os quais havia interagido.
A experiência demonstra que as máquinas não criam o preconceito a partir do nada. Elas aprendem em ambientes sociais marcados por discursos de ódio e por relações desiguais. Ao mesmo tempo, as decisões automatizadas podem dar ao preconceito uma aparência de cálculo imparcial.
Isso ocorre quando uma plataforma decide quais perfis terão maior alcance, quando um sistema de reconhecimento facial identifica com mais precisão pessoas brancas ou quando um mecanismo de busca associa beleza, competência e inteligência a determinados grupos.
“Os algoritmos não são ferramentas isentas”, resumiu Márcia.
A pergunta deixa de ser apenas o que a máquina consegue fazer. Torna-se necessário investigar quem a alimentou, quais interesses orientam seu funcionamento e quais grupos sofrerão as consequências de suas decisões.
O giro decolonial precisa produzir ação
O enfrentamento do racismo na comunicação, para a pesquisadora, passa por uma crítica à relação entre modernidade e colonialidade.
As instituições contemporâneas não surgiram depois do colonialismo como estruturas completamente novas. Elas preservaram hierarquias raciais, econômicas e de gênero constituídas durante o período colonial. Essas permanências aparecem no mercado de trabalho, nas universidades, nas empresas de comunicação e nos critérios utilizados para legitimar conhecimentos.
Márcia recuperou contribuições de Frantz Fanon, Lélia Gonzalez, Malcolm X, Nêgo Bispo e outros pensadores que, em diferentes períodos, questionaram a centralidade europeia na produção do conhecimento.
De Lélia Gonzalez, destacou a compreensão da América como território negro e indígena, marcado pela criação de formas próprias de resistência. De Antônio Bispo dos Santos, o Nêgo Bispo, retomou a ideia de povos contra-coloniais: populações que não devem ser definidas somente pela condição de periferia ou subalternidade, mas pela capacidade de produzir outros modos de vida.
O giro decolonial, nesse sentido, não pode permanecer apenas como teoria citada em textos acadêmicos. Ele exige uma atitude capaz de alterar as relações entre universidade, comunidades e instituições.
Na Folkcom 2023, essa transformação aparecia na presença de mestres e mestras dos saberes populares, representantes dos terreiros, comunicadores indígenas e lideranças comunitárias. Não estavam no evento apenas como objetos de pesquisa, mas como sujeitos produtores de conhecimento.
A proposta envolve a decolonialidade do ser, para que os sujeitos tomem posse de suas identidades; do poder, para que ocupem diferentes espaços de decisão; e do saber, para que seus conhecimentos não sejam considerados inferiores à ciência acadêmica.
Do fato isolado ao problema social
Márcia apresentou resultados de pesquisas desenvolvidas pelo RHECADOS para demonstrar como as escolhas jornalísticas interferem na compreensão pública do racismo.
Um dos estudos comparou a cobertura televisiva dos assassinatos de George Floyd, nos Estados Unidos, e João Alberto Silveira Freitas, no Brasil. A análise identificou uma cobertura inicialmente factual e pouco contextualizada, na qual as mortes nem sempre eram relacionadas às estruturas de violência racial.
Quando o acontecimento é apresentado apenas como a morte de uma pessoa negra, sem referência ao racismo, à violência institucional ou a outros casos semelhantes, o público pode interpretá-lo como uma tragédia individual.
Outra pesquisa examinou, durante cerca de duas décadas, a presença das religiões de matriz africana em blogs jornalísticos da região de Juazeiro. O levantamento encontrou pouquíssimas matérias e, em alguns casos, abordagens pejorativas.
O silêncio também comunica. A ausência continuada dos terreiros na cobertura local sugere que aquelas comunidades não participam da vida social, cultural e religiosa da região. Quando aparecem somente em situações de conflito ou por meio de estereótipos, sua imagem pública é reduzida.
O Observatório Racial da Mídia Brasileira, outra iniciativa mencionada na conferência, passou a acompanhar veículos da mídia hegemônica e da mídia negra independente. No caso dos ataques racistas sofridos pelo jogador Vinícius Júnior, a cobertura cresceu rapidamente, mas muitas matérias permaneceram centradas em fontes oficiais, sem ouvir pesquisadores e organizações especializadas nas relações raciais.
A quantidade de notícias, portanto, não garante profundidade. Um tema pode aparecer dezenas de vezes e, ainda assim, ser explicado de maneira insuficiente.
A entrada de pessoas negras muda as perguntas
Márcia também mostrou como as políticas de ações afirmativas alteraram a produção científica em comunicação.
Um levantamento realizado por seu grupo identificou o crescimento dos trabalhos sobre raça apresentados na Intercom, especialmente a partir da segunda metade da década de 2010. Na interpretação da pesquisadora, a mudança está diretamente relacionada ao ingresso de estudantes e pesquisadores negros nas universidades.
Essas pessoas não trouxeram apenas novos corpos para instituições antigas. Trouxeram outras perguntas, referências, experiências e objetos de pesquisa.
Temas anteriormente considerados pouco relevantes passaram a ocupar grupos de trabalho, dissertações, teses e livros. A criação do GP Comunicação Antirracista e Pensamento Afrodiaspórico na Intercom integra esse processo de transformação do campo científico.
A experiência mostra por que representatividade e produção de conhecimento não podem ser separadas. Quem entra na universidade também transforma aquilo que a universidade considera possível pesquisar.
Midiativismo negro ocupa as brechas das plataformas
Diante da concentração da mídia e dos limites das plataformas digitais, a conferencista destacou a atuação de veículos independentes como Alma Preta, Correio Nagô, Mundo Negro e Revista Afirmativa, além da Rádio Yandê, produzida por comunicadores indígenas.
Essas iniciativas desenvolvem um midiativismo capaz de abordar acontecimentos ignorados pela imprensa hegemônica, formar novos profissionais, circular referências e produzir narrativas a partir das experiências dos próprios grupos.
A atuação ocorre, contudo, em uma “faca de dois gumes”. As plataformas permitem que veículos pequenos alcancem públicos amplos, mas submetem o trabalho aos algoritmos, às mudanças de regras e à distribuição desigual de recursos.
Ainda assim, esses comunicadores ocupam as brechas do sistema, constroem redes de colaboração e oferecem interpretações que confrontam as narrativas dominantes.
Esse movimento dialoga diretamente com a folkcomunicação. Se Luiz Beltrão observou como populações afastadas dos grandes meios criavam seus próprios circuitos para produzir e distribuir informação, a mídia negra e indígena contemporânea revela a continuidade e a atualização desses processos.
Os canais mudaram, mas permanece a disputa pelo direito de comunicar a partir de outras experiências sociais.
Da pesquisa com comunidades à produção compartilhada
Márcia apresentou ainda projetos realizados no território do São Francisco, envolvendo comunidades quilombolas e religiões de matriz africana.
Em parceria com lideranças comunitárias e instituições públicas, os pesquisadores colaboraram com processos de reconhecimento e certificação de comunidades quilombolas. A investigação acadêmica deixou de se limitar à coleta de informações e passou a atender demandas formuladas pelos próprios moradores.
No mapeamento participativo dos terreiros de Juazeiro e Petrolina, por exemplo, foram localizados 54 espaços religiosos. O trabalho surgiu depois que a análise da imprensa regional constatou a quase ausência dessas comunidades na cobertura jornalística.
A resposta à invisibilidade não foi apenas escrever sobre os terreiros, mas construir instrumentos para que eles pudessem registrar sua presença no território e disputar a representação pública de suas histórias.
A experiência também levou Márcia a reformular uma frase conhecida sobre o sertão. Em lugar do sertanejo descrito apenas como “forte”, ela propôs pensar o sertanejo como “afrodígena”, constituído pelo encontro de populações negras e indígenas que produziram formas próprias de existência no semiárido.
A mudança de uma palavra desloca todo um imaginário. O sertão deixa de ser apresentado como espaço homogêneo e passa a ser compreendido a partir da diversidade dos povos que o constituíram.
Como expulsar o racismo da comunicação?
A partir das pesquisas reunidas no livro, Márcia Guena e Ceres Santos propõem a “expulsão programada do racismo da comunicação”.
A expressão não sugere uma mudança espontânea. Trata-se de um movimento organizado, sistemático e permanente, capaz de alcançar a formação universitária, o mercado de trabalho, os códigos de ética, as políticas públicas e a gestão dos meios.
Entre as ferramentas disponíveis, Márcia mencionou o Estatuto da Igualdade Racial, as leis que determinam o ensino das histórias e culturas afro-brasileiras e indígenas, as propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação de 2009 e a necessidade de ampliar a presença de profissionais negros nos espaços de decisão.
A ética do jornalismo também precisa ser repensada. Para além de princípios formulados a partir de uma tradição exclusivamente europeia, a pesquisadora propôs o diálogo com o feminismo negro e com a ética do Bem Viver, baseada na reciprocidade, no cuidado e na compreensão de que “uma mão puxa a outra”.
A transformação exige tanto medidas institucionais quanto produção cotidiana de outros discursos.
“A gente precisa inundar a rede de imagens, de discursos, de reflexões”, defendeu.
Uma homenagem a Léa Garcia
Ao final da conferência, Márcia homenageou a atriz Léa Garcia, que havia morrido dois dias antes, em 15 de agosto de 2023. Pioneira na televisão, no teatro e no cinema, Léa iniciou sua trajetória no Teatro Experimental do Negro e construiu uma carreira marcada pelo enfrentamento dos lugares limitados destinados às atrizes negras.
Márcia leu um trecho de uma crônica escrita durante a pandemia, quando assistiu ao curta-metragem O Dia de Jerusa, dirigido por Viviane Ferreira e protagonizado por Léa Garcia, ao lado da mãe, então com 90 anos.
No texto, sua mãe pergunta se Léa ainda estava viva. Depois de assistir ao filme, comenta sobre a história, os personagens, o bolo preparado pela protagonista e a jovem que decide permanecer um pouco mais ao lado daquela senhora.
A cena doméstica condensava parte do argumento desenvolvido durante toda a conferência. Duas mulheres negras assistiam a uma terceira mulher negra ocupar a tela, envelhecer diante do público, expressar desejos, receber afeto e protagonizar sua própria história.
A comunicação que historicamente produziu apagamentos também pode criar reconhecimento, memória e encontro. Mas isso não acontece sem disputa.
Expulsar o racismo da comunicação pode parecer, como reconheceu Márcia Guena, uma utopia. A conferência mostrou, porém, que essa utopia já está em movimento nas redações independentes, nas pesquisas acadêmicas, nos territórios quilombolas, nos terreiros, nas rádios indígenas e nos grupos populares que constroem seus próprios circuitos de comunicação.
A pergunta “até quando?” permanece aberta. A resposta dependerá não apenas de quem aparece nas telas, mas de quem segura a câmera, escreve a pauta, desenvolve o algoritmo, ocupa a chefia e decide quais histórias o país aprenderá a reconhecer como parte de si.


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