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Pesquisadores ligados à Folkcomunicação lançam livros no Publicom 2026

31 de ago.
3 min de leitura

Quatro pesquisadores com trajetória ligada à Folkcomunicação participarão do Publicom 2026, espaço dedicado ao lançamento de livros durante o 49º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. As obras de Pedro Paulo Procópio, Flávio Menezes Santana, Gabriel Ferreira Fragata e Antonio Hohlfeldt serão apresentadas nesta quinta-feira, 3 de setembro, às 18h, na Universidade Católica de Brasília (UCB), no campus Taguatinga.


Os títulos percorrem diferentes campos da Comunicação. Há estudos sobre o acolhimento de pacientes nos serviços de saúde, a organização comunitária de marisqueiras e catadores de caranguejo, as pressões políticas enfrentadas pelo jornalismo amazonense e a construção de histórias de vida por meio de biografias, autobiografias e memórias.


A Folkcomunicação no cuidado em saúde

Em (Folk)Comunicação e humanização em saúde: relatos de caso, estudos e perspectivas, Pedro Paulo Procópio aproxima os estudos da Folkcomunicação das práticas de acolhimento, escuta e reconhecimento nos serviços de saúde.


O livro trabalha com situações concretas. Entre elas estão a experiência de uma mulher trans que teme ter sua identidade desrespeitada durante o atendimento, o receio de uma viúva da periferia do Recife diante da reação dos filhos a um novo relacionamento e a dor de uma família confrontada com a morte precoce de uma filha.


Os relatos ajudam o autor a discutir como diferenças culturais, sociais e econômicas interferem na comunicação entre profissionais, pacientes e familiares. A linguagem acessível e o respeito à identidade de cada pessoa aparecem como elementos capazes de fortalecer a confiança e favorecer a adesão ao tratamento.


A obra também reúne experiências vividas pelo próprio autor, por estudantes e por profissionais da área, defendendo que os protocolos técnicos precisam ser acompanhados por gestos de empatia e pela disposição para ouvir.


Marisqueiras e catadores como bibliotecas vivas

Flávio Menezes Santana lança Sobre vivência com caranguejos: entre as raízes dos manguezais e as pontes para Aracaju, pesquisa dedicada às marisqueiras e aos catadores de caranguejo do povoado Coqueiro, em São Cristóvão, Sergipe.


Em vez de observar o caranguejo apenas como produto de consumo, atração turística ou símbolo midiático, o autor acompanha os processos de sobrevivência, pertencimento e resistência construídos pelas pessoas que vivem do mangue. Seus conhecimentos, memórias e práticas cotidianas são tratados como parte de um patrimônio comunitário frequentemente ignorado pelas narrativas oficiais.


A obra discute ainda as contradições sociais do território, o apagamento promovido por setores dominantes e a ausência do poder público. A organização de marisqueiras e catadores aparece como uma forma de reivindicar direitos e enfrentar estruturas de exclusão. Publicado pela Pluralidades, o livro tem 254 páginas e está entre os cinco finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico de 2026 na categoria Comunicação e Informação.


Um “revide regional” em defesa da imprensa

Jornalismo de Bodó, de Gabriel Ferreira Fragata e Gleilson Medins, investiga as relações entre jornalistas, autoridades políticas e liberdade de imprensa no Amazonas. O título recupera uma expressão utilizada pelo prefeito de Manaus, David Almeida, durante um ataque a um jornalista. Os autores ressignificam o termo “jornalismo de bodó” como resposta às tentativas de constranger, desqualificar ou limitar o trabalho da imprensa.


Disponível em formato digital, o livro reúne reflexões sobre ética, direitos humanos, liberdade de expressão e os desafios enfrentados pelos profissionais responsáveis pela cobertura política no estado. Jornalistas convidados também compartilham experiências sobre as pressões exercidas por autoridades e as particularidades do exercício profissional na região.


Embora parta de episódios ocorridos no Amazonas, a obra relaciona essas situações ao debate nacional sobre violência contra jornalistas, concentração de poder e independência editorial. Gleilson Medins define o livro como um “revide regional e militante” às formas de opressão política contra a imprensa.


Biografias como forma de conhecimento

Antonio Hohlfeldt participa do Publicom como um dos organizadores de Artefatos biográficos: jornalismo e histórias de vida, publicado pela Editora Insular. A organização é compartilhada com Felipe Adam.


A coletânea reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros interessados nas relações entre jornalismo, memória e narrativas de vida. Os capítulos examinam como biografias, autobiografias, perfis e outros relatos transformam experiências individuais em registros que também ajudam a compreender períodos históricos, conflitos sociais e identidades coletivas.


Com 408 páginas, o livro se dedica a um gênero amplamente presente no mercado editorial, mas que ainda recebe atenção limitada como objeto específico das pesquisas em Comunicação. A proposta é discutir tanto os procedimentos de apuração e escrita quanto as escolhas realizadas ao reconstruir a trajetória de outra pessoa.


Lançamento integra programação do Congresso da Intercom


O Publicom será realizado no dia 3 de setembro, às 18h, na área de convivência da UCB, no campus Taguatinga. A atividade integra a etapa presencial do Congresso Nacional da Intercom e reúne lançamentos de diferentes áreas da pesquisa em Comunicação.

A relação completa de obras, autores, organizadores e editoras pode ser consultada na programação oficial do Publicom 2026.


Serviço

Publicom 2026 — lançamento de livros

Data: 3 de setembro de 2026

Horário: 18h

Local: Área de convivência da Universidade Católica de Brasília — campus Taguatinga, Distrito Federal

 
 
 

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