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Folkmarketing no Bandepe: o “Azulão” além do carnaval

12 de ago. de 1998
3 min de leitura

Atualizado: há 23 horas

Autoria original: Patrícia Ozores Polacow


As agremiações carnavalescas empresariais na comunicação organizacional são o tema do estudo do professor Severino Lucena Filho, no painel II, do dia 13 de agosto, segundo dia da 1ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação.


Estas agremiações começaram a surgir na década de 80, em Recife, capital de Pernambuco, que tem no carnaval uma das formas mais dinâmicas de representação da “pernambucalidade”. O folclore pernambucano - expressado pela música, pela dança e por outras manifestações de uma tradição riquíssima — é formado por uma variedade cultural que motiva esse tipo de iniciativa.


O desfile dos blocos organizado pelas agremiações acontece pelas ruas centrais de Recife, na sexta-feira e no sábado da semana pré-carnavalesca. O Azulão do Bandepe é um bloco carnavalesco (criado e organizado por funcionários do Banco do Estado de Pernambuco) que saiu para a rua pela primeira vez em 1982. O Azulão também é o caso estudado pelo professor Lucena, na pesquisa em que registra a estratégia comunicacional das empresas, ao fazer uso dos elementos folclóricos e da cultura de modo amplo, para estabelecer uma comunicação eficaz com seus públicos.


Os blocos das agremiações podem ter outras funções. O Hemovamp e O Camisão participam do carnaval com uma função educativa e de conscientização da comunidade. O Hemovamp foi criado em 1992 pelos funcionários da Fundação Hemope, órgão vinculado à Secretaria de Saúde do Estado de Pernambuco. A motivação desse grupo é a integração dos funcionários da empresa em torno da sensibilização do público externo para a doação de sangue. O bloco O Camisão, fundado em 1994, tem o objetivo de divulgar junto à comunidade a prevenção contra a AIDS.


O bloco do Bandepe foi formado por iniciativa dos funcionários do banco. Em um depoimento colhido pelo professor Lucena durante a sua pesquisa, um dos fundadores do bloco (que é contínuo do banco) diz que “o Azulão surgiu da vontade de unir os funcionários que, naquela época, pareciam assim... inimigos; e eu como carnavalesco que já era, e compositor, me senti um pouco frustrado diante daquela indiferença dos funcionários!” Além da função comunicacional, o Azulão atua como meio de integração dos funcionários das agências da área metropolitana com as do interior do estado. Também promove caravanas para participar das festas juninas, vaquejadas e outros festejos populares nas cidades interioranas. “Essa postura da agremiação carnavalesca reforça a hipótese de que elementos da cultura folkcomunicação são usados pelas organizações como forma de divulgar sua imagem e cultura organizacional junto aos seus públicos e à comunidade”.


O trabalho do professor Lucena foi a sua dissertação de Mestrado, defendida na Universidade Federal Rural de Pernambuco, onde obteve a classificação máxima. Também terminou virando livro, Azulão do Bandepe - uma estratégia de comunicação organizacional, lançado no dia 13 de agosto, durante a 1ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação.


1 FILHO, Severino Lucena. Azulão do Bandepe — uma estratégia de comunicação organizacional. Recife: Ed. do Autor, 1998, p.156.


2 FILHO, Severino Lucena. Azulão do Bandepe — uma estratégia de comunicação organizacional. Recife: Ed. do Autor, 1998, p.173.


Patrícia Ozores Polacow é Jornalista e mestranda em Comunicação Social da UMESP.


Fonte: Enfolkcom, outubro de 1998, pp. 25–26. Revista produzida por alunos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), com a cobertura da 1ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, realizada de 12 a 14 de agosto de 1998.


Esta republicação integra o acervo histórico da Rede Folkcom. A data de publicação deste post corresponde à abertura da conferência, em 12 de agosto de 1998.


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