Andriolli Costa defende o folclore como memória, resistência e caminho para o futuro
- Andriolli Costa
- há 5 dias
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Em entrevista conduzida por Carolina Grimião, pesquisador relaciona experiências familiares, mitos, jornalismo, podcasts e folkcomunicação para mostrar como os saberes populares ajudam a compreender o presente
Antes de se tornar objeto de pesquisa, o Saci já fazia parte da família de Andriolli Costa.
O pai indicava os lugares onde teria encontrado a criatura durante o caminho de volta da escola. Um primo era conhecido por ter feito um pacto com o personagem. A avó imitava seu assovio para convencer os filhos a arrumar o quarto ou varrer o terreiro: se as tarefas não fossem realizadas, avisava, o Saci poderia aparecer.
Essas histórias, contadas em Mato Grosso do Sul por uma família formada pelo encontro de referências cearenses e mineiras, abriram o caminho para uma trajetória dedicada ao folclore, ao imaginário e à comunicação.
Foi a partir dessas memórias que o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e então presidente da Rede Folkcom, Andriolli Costa, iniciou sua participação no programa Comunicação em Movimento, conduzido por Carolina Grimião.
Exibida em 17 de junho de 2025, a edição de número 67 teve como tema “Cultura Popular, Folclore e Mídia”. O programa é produzido pelo Centro de Pesquisas e Produção em Comunicação e Emergência da Universidade Federal Fluminense, o EMERGE-UFF, sob a coordenação do professores1 Adilson Cabral.
Durante a conversa, Andriolli defendeu que o folclore não deve ser visto como um conjunto de curiosidades do passado. Ele está presente nas formas pelas quais as pessoas compreendem a vida, constroem vínculos, enfrentam dificuldades e narram suas experiências.
A entrevista percorreu histórias de Saci, tesouros enterrados, romarias transmitidas pela internet, benzimentos on-line, podcasts narrativos e filmes populares produzidos com celulares. Apesar da variedade, todas essas experiências convergiram para um mesmo convite: reconhecer o conhecimento que nasce nos territórios, nas famílias e nas comunidades.
“Olha para dentro. Antes de você olhar para fora, olha para dentro. O que só você, só a sua comunidade sabe?”, propôs o pesquisador.
O mundo em que o Saci existe
Carolina iniciou a entrevista perguntando quando Andriolli percebeu que os grupos, as identidades e as narrativas populares constituíam um espaço legítimo de produção de conhecimento.
A resposta começou em 2008, quando ele ingressou como voluntário na iniciação científica durante a graduação em Jornalismo, em Mato Grosso do Sul. Seu primeiro objeto foi justamente o Saci.
O interesse, no entanto, não surgiu de uma leitura de Monteiro Lobato ou da representação do personagem na televisão. As referências vieram das histórias transmitidas oralmente por seus familiares.
Andriolli percebeu que seu pai continuava contando essas experiências mesmo quando os filhos já haviam crescido. Isso indicava que as histórias não eram recursos inventados apenas para entreter crianças.
“Meu pai contava essas histórias para mim porque era impossível ele partilhar sua vida comigo se não falasse disso. O mundo do meu pai era o mundo em que o Saci existia”, afirmou.
Se essas histórias fossem eliminadas, uma parte importante da experiência daquele narrador também desapareceria. Escutá-las, portanto, era uma forma de conhecer o pai, os avós e o universo cultural de sua família.
A reflexão permitiu estabelecer uma ponte entre mito e sociedade. Estudar uma narrativa não significa apenas investigar sua estrutura ou procurar suas possíveis origens. Significa também compreender as pessoas que a atualizam, os sentidos que atribuem a ela e as formas como são mobilizadas por suas imagens.
“Pensando o mito, eu tenho uma metonímia do que é pensar o povo”, resumiu.
Pessoas vivem e morrem atravessadas pelos mitos
Em 2010, Andriolli encontrou o objeto que daria origem à sua pesquisa de mestrado: as histórias sobre tesouros enterrados no Paraguai, conhecidos como plata yvyguy.
Durante o levantamento de reportagens publicadas pelo jornal paraguaio ABC Color, o pesquisador observou a recorrência de notícias sobre pessoas que se acidentavam ou morriam enquanto procuravam riquezas supostamente escondidas durante conflitos e outros episódios históricos.
As histórias sobre tesouros interferiam diretamente nas escolhas dos envolvidos. Pessoas cavavam terrenos, entravam em túneis improvisados e se expunham a riscos concretos porque acreditavam na possibilidade de encontrar as riquezas.
O caso revelou a insuficiência de uma interpretação que reduz o mito a algo puramente subjetivo, fantasioso ou desconectado da realidade.
“Pessoas vivem e morrem por causa dos mitos. Eu não posso ser negligente ao estudá-los. Não posso achar que eles são uma historinha”, afirmou.
As narrativas atravessam identidades, decisões e modos de estar no mundo. Quando o jornalismo despreza essa dimensão, pode deixar de compreender parte importante da realidade social que pretende noticiar.
A pesquisa sobre os tesouros enterrados também aproximou Andriolli da folkcomunicação. Na teoria proposta por Luiz Beltrão, ele encontrou instrumentos para pensar os processos comunicacionais ligados às culturas populares, embora observasse que os mitos ainda apareciam com menor frequência do que festas, manifestações e grupos tradicionais entre os objetos do campo.
Um conceito não pode ficar preso ao momento em que nasceu
Ao introduzir a segunda parte da entrevista, Carolina observou que a palavra “folclore” costuma chegar carregada de imagens e preconceitos. Para muitas pessoas, ela remete apenas à infância, às lendas ou a práticas supostamente distantes da vida contemporânea.
Andriolli atribuiu parte dessa dificuldade à maneira como os conceitos são tratados dentro da própria academia.
Um termo, explicou, não deve ser permanentemente limitado à forma como foi empregado no momento de sua criação. Áreas como Filosofia e Antropologia passaram por profundas transformações, revisando pressupostos coloniais e atualizando seus conceitos. O mesmo deve acontecer com os estudos do folclore.
O pesquisador recordou sua formação por meio das obras de Câmara Cascudo e Edison Carneiro. Ao confrontar essas leituras com críticas dirigidas aos primeiros folcloristas, percebeu que diferentes interlocutores utilizavam a mesma palavra para se referir a objetos muito distintos.
Para compreender esse desencontro, foi necessário recuperar a história dos estudos folclóricos e investigar as disputas responsáveis pela legitimação ou marginalização de determinadas perspectivas.
Nesse percurso, ganhou importância o que Andriolli denomina “folclorística dialética”: uma vertente dos estudos folclóricos influenciada pelo pensamento de Antonio Gramsci e desenvolvida no Brasil especialmente por Edison Carneiro.
Ao escrever sobre o folclore nos Cadernos do Cárcere, Gramsci buscava compreender as estratégias de resistência das classes populares, afastadas dos meios hegemônicos de produção, circulação e ensino.
Edison Carneiro atualizou essa perspectiva no Brasil ao defender o caráter dinâmico do folclore. Suas formulações, por sua vez, foram importantes para Luiz Beltrão desenvolver a teoria da folkcomunicação nos anos 1960.
Andriolli aprofundou essa genealogia no artigo “Folkcomunicação: vínculos epistemológicos fundamentais entre Comunicação e Folclore”, publicado na Revista Internacional de Folkcomunicação.
A comunicação dinamiza o folclore
A folkcomunicação permite compreender como as manifestações populares se transformam quando encontram novos meios e tecnologias.
Um grupo de reisado não se comunica apenas durante seu cortejo. Congadeiros, romeiros, festeiros e benzedores utilizam redes sociais, aplicativos de mensagem e transmissões em vídeo para manter suas relações e alcançar outros públicos.
Durante a pandemia de covid-19, muitas práticas precisaram ocupar os ambientes digitais. Houve romarias acompanhadas pela internet, celebrações transmitidas ao vivo e até benzimentos realizados a distância.
Essas experiências demonstraram que o uso de tecnologias digitais não necessariamente enfraquece uma tradição. Em determinadas circunstâncias, pode oferecer novos caminhos para sua continuidade.
“A comunicação dinamiza o folclore”, explicou Andriolli.
A tradição, nessa perspectiva, não é uma repetição mecânica do passado. Ela seleciona, atualiza e reorganiza seus repertórios para responder às condições do presente.
É justamente essa capacidade de transformação que permite ao folclore permanecer socialmente relevante. Uma manifestação incapaz de dialogar com as mudanças ao seu redor corre o risco de ser convertida em uma encenação sem vínculos com a comunidade que lhe deu origem.
A narrativa como forma de vencer o tempo
Carolina também perguntou sobre o Laboratório de Podcasts Narrativos da UERJ, o Lunar, projeto de extensão coordenado por Andriolli.
A iniciativa reúne diferentes áreas de sua trajetória: jornalismo, imaginário, cultura popular, oralidade, narrativa e produção de podcasts.
Ao explicar a escolha pelo formato, o pesquisador estabeleceu uma diferença entre informação e narrativa.
O jornalismo cotidiano trabalha contra o tempo. Uma reportagem precisa ser produzida e publicada rapidamente, antes que o acontecimento perca atualidade. Essa dinâmica exige atualizações permanentes e uma quantidade cada vez maior de conteúdo para alimentar plataformas e algoritmos.
Com o avanço das inteligências artificiais, competir somente pela velocidade torna-se ainda mais difícil. Máquinas podem produzir textos e organizar dados em um ritmo impossível para os seres humanos.
“Tentar vencer velocidade com velocidade, para mim, é um grande equívoco”, avaliou.
A narrativa oferece outro caminho. Em vez da produção em massa, exige seleção, recorte, escuta e um olhar autoral sobre o mundo.
“A narrativa é o oposto da informação. A narrativa é seleção, é um recorte, uma escolha, um olhar autoral sobre o mundo”, afirmou.
Um podcast narrativo pode permanecer significativo durante anos porque sua força não depende apenas da novidade. Ele organiza experiências humanas, constrói personagens e conduz o ouvinte por meio de afetos e conflitos que continuam reconhecíveis depois da publicação.
Essa proposta orienta o trabalho desenvolvido no Lunar: programas com períodos maiores de produção, atenção à linguagem sonora e potencial para permanecer relevantes.
Sonhos da periferia transformados em paisagem sonora
Como exemplo, Andriolli apresentou o podcast Sonhário, produzido pelo Lunar em parceria com o Laboratório de Estudos da Imagem e do Imaginário da UERJ e com o projeto Pode Sonhar, da organização Avenida Brasil – Instituto de Criatividade Social.
A produção foi construída a partir dos diários de sonhos de jovens artistas de diferentes territórios periféricos do Rio de Janeiro.
Os registros sonoros foram combinados com entrevistas sobre suas trajetórias. A narrativa alterna sonhos noturnos, memórias, desejos, poemas, projetos de vida e os obstáculos encontrados pelos personagens.
A sonorização procura traduzir essas experiências por meio de paisagens que aproximam o ouvinte do universo de cada artista.
“O sonho e a história de vida” se intercalam para revelar tanto o caminho onírico quanto as esperanças dos participantes.
O programa, finalista do Rio WebFest 2024 na categoria podcast de não ficção, demonstra como a mídia sonora pode preservar a intimidade da voz e, ao mesmo tempo, transformar experiências particulares em histórias capazes de gerar identificação coletiva.
“Quem ouvir daqui a dez anos vai se identificar, porque os nossos sonhos são os mesmos. A gente quer coisas muito parecidas e, assim, se conecta em nível humano”, afirmou Andriolli.
Uma ciência construída por gerações
A situação contemporânea da pesquisa em folkcomunicação foi levantada por uma pergunta da professora Eula Cabral e desenvolvida por Carolina Grimião.
Andriolli recordou o papel de José Marques de Melo na institucionalização do campo. O pesquisador liderou a criação da Rede Folkcom, incentivou conferências, estimulou grupos de trabalho e abriu espaços para a teoria nas associações científicas.
Depois de sua morte, novas gerações precisaram assumir a responsabilidade de manter e ampliar esse legado.
Essa trajetória também envolve nomes como Roberto Benjamin, discípulo de Luiz Beltrão, e Osvaldo Trigueiro, que deu continuidade às pesquisas e formou outros investigadores.
Ao longo das décadas, esses pesquisadores “abriram a picada” para que a folkcomunicação conquistasse maior presença científica.
Na entrevista, Andriolli destacou a participação do campo nos congressos regionais e nacional da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, a Intercom, e nas atividades da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, a SBPC.
Também apresentou resultados parciais da pesquisa coletiva promovida pela Rede Folkcom para identificar a produção acadêmica publicada ao longo de dez anos. Naquele momento, o levantamento reunia mais de mil artigos, teses e dissertações.
O volume demonstrava a diversidade dos objetos, mas também revelava dificuldades de continuidade. Muitas linhas de investigação dependem do trabalho de um único orientador. Quando esse professor se aposenta ou deixa a instituição, estudantes interessados no tema podem não encontrar quem acompanhe suas pesquisas.
Por isso, o desafio não é apenas atrair pessoas para uma associação. É ampliar a presença da heurística folkcomunicacional: uma maneira de observar as culturas populares como potências de transformação e germes de mudança social.
A marginalização de quem pesquisa os marginalizados
A abertura da universidade aos saberes populares foi outro ponto central da conversa.
Andriolli mencionou iniciativas que reconhecem mestres tradicionais, brincantes, festeiros e benzedores como produtores de conhecimento. Essas ações promovem uma mudança epistemológica ao questionar a ideia de que a universidade é a única instituição autorizada a definir o que pode ser considerado saber.
A folkcomunicação, argumentou, já dirigia seu olhar para esses agentes nos anos 1960. O pioneirismo, entretanto, teve um custo.
Pesquisadores dedicados às culturas populares foram, muitas vezes, considerados intelectualmente menores. O trabalho de campo, a proximidade com as comunidades e o interesse por objetos marginalizados eram tratados como sinais de fragilidade teórica.
“Pelo próprio preconceito com as classes populares, quem estuda as classes populares é marginalizado desse campo acadêmico”, observou.
O problema, portanto, não estava necessariamente na qualidade das pesquisas, mas na maneira como a academia classificava determinados sujeitos, objetos e métodos.
Recuperar essa história ajuda a responder a uma pergunta frequentemente dirigida à folkcomunicação: por que continuar utilizando a teoria?
“É por isso que a gente estava lá e a gente aqui continua”, respondeu Andriolli.
Da folkcomunicação à folkmídia
A terceira edição da Mostra Saci – Somando Arte no Cinema Independente, da qual Carolina e Andriolli participaram como curadores, forneceu um exemplo da vitalidade contemporânea das culturas populares.
A mostra recebeu quase 200 produções audiovisuais, entre documentários, animações e obras experimentais. Diferentes regiões, estéticas e gêneros narrativos foram mobilizados para representar manifestações, personagens e conhecimentos populares.
Nesse ponto, Andriolli diferenciou folkcomunicação e folkmídia.
Na folkcomunicação, a atenção recai sobre os processos de comunicação produzidos pelos próprios grupos populares e marginalizados. A folkmídia investiga a apropriação de referências dessas culturas por instituições, empresas, governos, artistas e meios de comunicação para produzir novos discursos.
Uma campanha de saúde pode utilizar teatro de bonecos ou uma manifestação tradicional para orientar a população. Uma série como Cidade Invisível mobiliza personagens conhecidos do folclore para atrair um público que já possui vínculos afetivos com essas narrativas.
As produções inscritas na Mostra Saci indicavam ainda outro movimento: a expansão do audiovisual para além dos grandes estúdios.
Com celulares, câmeras acessíveis e recursos provenientes de políticas culturais, realizadores iniciantes puderam registrar manifestações de seus territórios. Os filmes nem sempre apresentavam o mesmo acabamento técnico de uma produção industrial, mas preservavam pessoas, experiências e conhecimentos que dificilmente apareceriam em outros espaços.
Pode haver, em uma dessas produções, uma benzedora que não será encontrada em nenhum grande arquivo audiovisual porque pertence àquela comunidade específica.
Esses filmes, observou Andriolli, ajudam a construir uma cartografia da cultura popular brasileira.
O convite para olhar o que está próximo
A democratização dos meios de produção, apesar de todas as suas limitações, criou novas possibilidades para que comunidades contem suas próprias histórias.
Ao mesmo tempo, políticas de incentivo como as leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo contribuíram para que artistas e produtores realizassem experiências audiovisuais em diferentes municípios.
O resultado é um convite para reconhecer o que existe perto de cada realizador, estudante ou pesquisador.
Em vez de reproduzir modelos externos, a produção cultural pode partir das histórias familiares, das festas do bairro, das práticas religiosas, das brincadeiras, dos artistas e dos conhecimentos compartilhados localmente.
“Não tem nada mais singular, potente e único do que a cultura popular do nosso povo, da nossa região, da nossa família”, afirmou.
A frase aproxima o encerramento da entrevista de seu ponto de partida. A trajetória que começou com histórias de Saci contadas dentro de casa tornou-se pesquisa acadêmica, produção jornalística, livro, podcast, filme e projeto de extensão.
Raízes para construir o futuro
Na parte final do programa, Carolina e Andriolli apresentaram a 22ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, então em fase de organização.
Realizada posteriormente entre 24 e 31 de outubro de 2025, com atividades presenciais na UERJ e na UFF, a conferência teve como tema “Raízes do presente, futuros ancestrais”.
A proposta era reunir pesquisadores, estudantes, artistas, comunicadores e membros de grupos populares. Além das apresentações acadêmicas, a programação contemplou oficinas, produtos audiovisuais, podcasts, fotografias, lançamentos de obras e atividades culturais.
A realização da conferência no Rio de Janeiro representou um marco para a Rede Folkcom. Embora Campos dos Goytacazes tivesse recebido uma edição em 2008, a capital fluminense ainda não havia sediado o encontro.
Mais do que divulgar uma teoria, o objetivo era criar um espaço no qual diferentes formas de conhecimento pudessem se encontrar.
A entrevista conduzida por Carolina Grimião antecipou esse movimento. Ao relacionar o Saci às redes digitais, as histórias familiares à produção científica e os saberes populares ao futuro da comunicação, a conversa mostrou que tradição e contemporaneidade não são forças opostas.
Olhar para dentro não significa fechar-se para o mundo. Significa descobrir, no que parece cotidiano, uma experiência que nenhuma inteligência artificial, indústria cultural ou modelo importado pode reproduzir integralmente.
É nesse território singular — entre a memória da família, as vozes da comunidade e as tecnologias do presente — que o folclore permanece vivo.


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