Rede Folkcom debate comunicação popular e desastres no TEIAS 2026
Atividades gratuitas e on-line acontecem em 18 e 23 de novembro, com pesquisadores vinculados a instituições de quatro países
A Rede de Estudos e Pesquisa em Folkcomunicação participará do VII Congresso Internacional Brasil in Teias Culturais: Pós-Apocalípticas com uma programação dedicada à comunicação popular em territórios atingidos por desastres socioambientais. Serão três mesas no dia 18 de novembro e um encontro internacional em 23 de novembro. O congresso acontece entre 18 de novembro e 18 de dezembro de 2026, com organização do Pós-Crítica da Universidade do Estado da Bahia (UNEB).
Reunidas no simpósio “Sobre o antes e o depois: folkcomunicação, desastres e práticas de resistência”, as atividades discutem como as populações atingidas comunicam suas experiências e disputam as condições de reconstrução.
A proposta acompanha o tempo prolongado dos desastres. Mesmo depois que a cobertura jornalística diminui, permanecem os conflitos pela reparação e as dificuldades de viver em territórios transformados. Nesse cotidiano, as manifestações culturais ajudam a tornar públicas as perdas e a manter vínculos entre as pessoas. A perspectiva pós-apocalíptica do simpósio se volta justamente para essas experiências de continuidade da vida.
Música e festa diante dos desastres
No dia 18 de novembro, das 14h às 15h30, a mesa “Fazer a festa, sustentar a vida: música e cultura popular diante dos desastres” reunirá pesquisadores do Brasil e do Chile. O diálogo discutirá como as práticas culturais participam da elaboração das perdas e da retomada dos encontros comunitários. A mediação será de Andriolli de Brites da Costa, da UERJ.
Cristian Yáñez Aguilar é professor do Instituto de Comunicação Social da Universidad Austral de Chile e doutor em Ciências Humanas. Em pesquisa sobre Tralcao, no sul do Chile, estudou como o cantor Francisco Manquecheo utiliza suas composições para denunciar a degradação ambiental. A análise toma as canções como uma forma de comunicação da resistência dos moradores às transformações do território.
Doutorando em Comunicação na UERJ e mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade de Sorocaba (Uniso), Matheus Lima Schwab e Silva pesquisa o carnaval de marchinhas de São Luiz do Paraitinga e suas relações com a memória e os desastres ambientais. A relação entre os festejos e a experiência do desastre também foi discutida em artigo que assina com Gabriela Gelain, com exemplos do Brasil e dos Estados Unidos.
Nastassja Nicole Mancilla Ivaca, jornalista e doutora em Ciências Sociais, está vinculada ao Programa de Psicologia Social da Memória da Universidad de Chile. Em estudo com Cristian e Víctor Hugo Valenzuela, analisou a recuperação do wampo, embarcação tradicional mapuche, como prática de resistência diante de projetos de exploração de recursos naturais em Panguipulli. O trabalho examina como a retomada de uma prática cultural expressa reivindicações sobre o território.
Mito e imaginário das águas
Na sequência, das 15h30 às 17h, “Quando o rio adoece: mito, imaginário e mundos atingidos pelo desastre” reunirá Juliette Woitchik, Carolina Santos da Cunha e Andriolli de Brites da Costa. A mediação será de Matheus Lima Schwab e Silva, da UERJ.
Antropóloga vinculada à UCLouvain Saint-Louis Bruxelles, na Bélgica, Juliette pesquisou, em seu doutorado, as relações dos moradores de Regência, no Espírito Santo, com o Rio Doce após o rompimento da barragem de Fundão. Seu trabalho acompanha como a contaminação transforma os vínculos com o rio e questiona a invisibilidade dessas relações nos processos de indenização.
Carolina Santos da Cunha é jornalista, bolsista do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) e mestra em Inovação em Comunicação e Economia Criativa pela Universidade Católica de Brasília. Em artigo com Florence Dravet, publicado em 2026, trabalha o pensamento tentacular de Donna Haraway e as relações multiespécies como caminhos para pensar a comunicação e o cuidado em um mundo danificado. Esse percurso oferece elementos para discutir os vínculos entre as comunidades humanas e outros viventes em ambientes atingidos.
Professor da UERJ e presidente da Rede Folkcom, Andriolli de Brites da Costa é doutor em Comunicação e Informação pela UFRGS, com pós-doutorado em Crítica Cultural pela UNEB. Suas pesquisas se dedicam ao mito, à tradição oral e ao imaginário. Na mesa, falará sobre o caboclo d’água e o imaginário das águas após a enchente, aproximando esse percurso das relações entre as narrativas populares e a experiência de viver junto aos rios.
Comunicação urbana e justiça socioambiental
Das 17h às 18h30, a mesa “Disputar a cidade, comunicar a vida: intervenção urbana e justiça socioambiental” discutirá as intervenções urbanas e o hip-hop como formas de denúncia e mobilização, observando também suas relações com o jornalismo cultural. A mediação será de Andriolli de Brites da Costa.
Thífani Postali Jacinto é professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da Uniso e doutora em Multimeios pela Unicamp. Autora de “Blues e Hip Hop: uma perspectiva folkcomunicacional”, estuda o hip-hop como comunicação das periferias, com atenção ao que seus participantes dizem sobre as condições de vida na cidade.
Mestra em Comunicação e Cultura pela Uniso, Ana Paula Sallum Nicoletti investigou, em sua dissertação, a propaganda governamental e de educação ambiental sobre o Rio Sorocaba. Também estudou, em coautoria com Thífani, a participação de mulheres na Batalha Beco das Mina, no circuito de hip-hop de Sorocaba. São pesquisas que observam quem comunica a cidade e como diferentes grupos participam dessa produção de sentidos.
Rafael Silveira Gloria é jornalista, mestre em Comunicação pela UFRGS e cofundador do Nonada Jornalismo. Sua atuação aproxima o jornalismo cultural da justiça climática. Entre os trabalhos que publicou estão reportagens sobre os impactos das enchentes na cadeia do livro no Rio Grande do Sul e sobre jovens ativistas que articulam cultura e enfrentamento ao racismo ambiental. Nessas coberturas, acompanha os prejuízos às práticas culturais e as iniciativas de mobilização das comunidades.
Samantha Viana Castelo Branco Rocha Carvalho, professora da Universidade Federal do Piauí, tem mestrado e doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo. Seus estudos abordam a regionalização do jornalismo e a Folkcomunicação. Na mesa, essa experiência permite discutir como a imprensa reconhece os agentes culturais e incorpora as questões apresentadas pelas comunidades.
O debate se aproxima da noção de ativista midiático: pessoas cuja atuação conecta as experiências das comunidades aos meios de comunicação e às instituições. A questão atravessa tanto a produção cultural nos territórios quanto a circulação pública de suas reivindicações.
Diálogos internacionais em Folkcomunicação
O encontro “Diálogos Internacionais em Folkcomunicação e Desastres” acontecerá em 23 de novembro, das 9h às 10h30, com Madhubhashini Hewage, professora da The Open University of Sri Lanka e coordenadora da Unidade de Comunicação do Departamento de Estudos Sociais. A mediação será de Andriolli de Brites da Costa.
Doutora em Comunicação pela National University of Malaysia, Hewage realizou parte de sua formação em pesquisa na National University of Singapore. Seus estudos abrangem comunicação em desastres e meios tradicionais de comunicação popular, com atenção ao fortalecimento de comunidades rurais.
Em estudo publicado em 2026, a pesquisadora examinou como uma comunidade tâmil das regiões de altitude do Sri Lanka utiliza a comunicação tradicional para enfrentar dificuldades cotidianas, entre elas a precariedade das moradias e os riscos de deslizamentos. A pesquisa oferece uma oportunidade de discutir aproximações entre experiências de comunicação popular desenvolvidas em diferentes contextos sociais, considerando os saberes que circulam nas próprias comunidades.
Todas as atividades da Rede Folkcom serão realizadas on-line. A participação é gratuita, com inscrições para ouvintes pela página do congresso na Even3. Os horários seguem o horário de Brasília.





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