Gestão 2024–2026 amplia presença nacional e deixa bases para continuidade da Rede Folkcom
Balanço registra dez GTs nas cinco regiões, seis pesquisas premiadas, 88 trabalhos na Folkcom 2025 e apoio aprovado para as conferências de 2025 e 2027
Cinco regiões mobilizadas em dois ciclos consecutivos de congressos, dez Grupos de Trabalho realizados, seis pesquisas premiadas, 88 trabalhos aprovados na conferência nacional e duas propostas de apoio a eventos aprovadas pela Capes. Os números ajudam a dimensionar uma mudança ocorrida na Rede Folkcom entre 2024 e 2026: a atividade institucional deixou de se concentrar em um único encontro anual e passou a compor uma agenda mais contínua de pesquisa, formação, publicação, memória e circulação cultural.
O balanço da gestão reúne as ações desenvolvidas entre setembro de 2024 e julho de 2026. O documento prioriza resultados institucionais e coletivos, distinguindo entregas concluídas, iniciativas ainda em execução e projetos preparados para continuidade nos próximos anos.
Entre os principais resultados estão a realização da primeira Conferência Brasileira de Folkcomunicação no estado do Rio de Janeiro, a presença dos GTs em todas as regiões do país, a publicação do primeiro livro coletivo de apresentação sistemática da teoria em inglês e a reestruturação do portal da Rede como espaço de acesso a livros, documentos, notícias e fontes de pesquisa.
Uma conferência que prepara a seguinte
A 22ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação foi realizada entre 29 e 31 de outubro de 2025, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, com atividades de encerramento na Universidade Federal Fluminense. Sob o tema “Raízes do presente, futuros ancestrais”, a Folkcom 2025 recebeu apoio do Programa de Apoio a Eventos no País da Capes.
A programação reuniu três conferências principais, três mesas de debate, seis oficinas, sessões científicas, mostra audiovisual, exposição fotográfica, noite de lançamentos, premiações e atividades artísticas. Foram 88 trabalhos aprovados, dos quais cerca de 70 foram apresentados presencialmente, além das participações nos grupos remotos Alpha e Beta.
A conferência instituiu prêmios estudantis de fotografia, podcast e audiovisual, associados às trajetórias de Maria Izabel Rocha, Gisela Swetlana Ortriwano e Verônica Dantas de Meneses. Também concedeu premiações para artigos de graduação e pós-graduação e entregou dez Diplomas José Marques de Melo a pesquisadores e agentes culturais.
A captação não se restringiu ao evento realizado. Durante o mesmo mandato, uma segunda proposta foi aprovada pela Capes para apoiar a Folkcom 2027, prevista para Ilhéus, na Bahia. O resultado conecta diferentes ciclos de gestão: enquanto a primeira aprovação permitiu realizar a edição de 2025, a segunda antecipou condições institucionais para a próxima conferência.
Folkcomunicação presente nas cinco regiões
Um dos resultados mais consistentes do período foi a realização de Grupos de Trabalho relacionados à Folkcomunicação nos cinco congressos regionais da Intercom, em 2025 e 2026.
Foram dez GTs em dois anos consecutivos, com atividades nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. A continuidade permitiu receber novos autores, aproximar estudantes e pesquisadores e manter a circulação científica para além da Conferência Brasileira.
No Centro-Oeste, por exemplo, o GT “Folkcomunicação e comunicação intercultural” foi implantado em 2025 e renovado no ano seguinte, ambos com seis trabalhos. No Norte, a agenda foi ampliada com a IV Jornada de Folkcomunicação da Pan-Amazônia, realizada em junho de 2026, em Parintins. No Nordeste, no Sudeste e no Sul, a permanência dos grupos fortaleceu articulações já existentes e produziu novos reconhecimentos.
Nos dois ciclos, seis pesquisas apresentadas nesses espaços venceram o Prêmio Intercom de Comunicação para a Transformação Social. Os trabalhos abordaram memória cultural em Arraial do Cabo, o uso do keffiyeh como símbolo político, grafite e arte popular em Parintins, ativismo no TikTok, a fotografia de Sebastião Salgado e batalhas de rima em Maceió.
O reconhecimento pertence aos autores, mas também evidencia a importância dos espaços científicos mantidos nas regiões. Mais do que divulgar decisões tomadas nacionalmente, as diretorias regionais contribuíram para criar agendas próprias e aproximar a Folkcomunicação dos objetos e pesquisadores de cada território.
Formação e circulação cultural durante todo o ano
A agenda formativa reuniu nove oficinas. Seis integraram a Folkcom 2025, enquanto as demais foram realizadas na Mostra de Artes e Carpintaria de Comunicação Social da UERJ, no Intercom Nordeste e na Jornada Pan-Amazônica.
Entre junho e outubro de 2025, a Rede, a Faculdade de Comunicação Social da UERJ e o projeto de extensão Patrimônio promoveram ainda o curso gratuito e on-line “Iniciação à Folkcomunicação — Mídia, Culturas Populares e outras Epistemologias”. Com 20 horas e cinco módulos, a formação reuniu docentes do Brasil, Chile e Estados Unidos.
A circulação cultural também ocupou diferentes suportes. Em agosto de 2025, uma amostra da Mostra SACI apresentou gratuitamente 20 curtas-metragens de 12 estados no Estação Net Botafogo, no Rio de Janeiro. As obras também foram disponibilizadas a cineclubes parceiros.
No Sul, a série Folk TV colocou em circulação sete episódios sobre manifestações e práticas culturais populares. A Folkcom 2025 incorporou ainda uma exposição fotográfica e uma galeria digital, enquanto o encontro “Universo Gambiarra — Folkmídia Carioca”, realizado na UFF, aproximou audiovisual, mídia alternativa e cultura popular.
A Rede também participou do 51º Encontro Cultural de Laranjeiras, em janeiro de 2026, e do I Congresso Brasileiro de Folcloristas, promovido pela IOV Brasil em Araçatuba. As duas atividades fortaleceram o diálogo da Folkcomunicação com pesquisadores do folclore, gestores culturais, mestres e brincantes.
Um campo que amplia seus idiomas e interlocutores
A internacionalização avançou por diferentes caminhos. Em 2025, foi publicado The Folkcommunication Theory, primeiro livro coletivo de apresentação sistemática da teoria em inglês. A obra reuniu 15 textos de 20 pesquisadores e teve o e-book disponibilizado gratuitamente.
Em julho de 2026, o VI Encontro Internacional de Folkcomunicação foi realizado na Universidade do Minho, em Braga, integrado ao XIX Ibercom. No mesmo mês, integrantes da Rede participaram da articulação do Grupo de Trabalho Comunicação Intercultural e Folkcomunicação no Congresso da Associação Latino-Americana de Investigadores da Comunicação, em Monterrey, no México.
A estratégia também alcançou o ambiente digital. Páginas sobre a teoria, a história da associação e suas publicações foram adaptadas para o inglês, criando uma porta permanente de entrada para pesquisadores estrangeiros.
No Rio de Janeiro, a Rede recebeu Dan Zhou, pesquisadora chinesa da Kwansei Gakuin University, do Japão. O trabalho de campo e as entrevistas realizadas com pesquisadores brasileiros contribuíram para uma investigação internacional sobre teorias relacionadas ao folclore.
Livros, revistas e acesso à produção científica
No campo editorial, a gestão entregou os anais da 21ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, realizada em 2023, e organizou no portal a base digital dos trabalhos apresentados na Folkcom 2025.
A Regional Norte publicou dois volumes da coleção Folk Amazônia. O primeiro volume foi dedicado às manifestações simbólicas, enquanto o segundo abordou Folkmídia e mediações populares. As obras reuniram pesquisas produzidas a partir dos territórios e das experiências amazônicas.
A cooperação com a Editora da Universidade Estadual da Paraíba resultou ainda na publicação de duas obras com a chancela da Rede: A TV Globo em duas comunidades rurais da Paraíba, de Osvaldo Meira Trigueiro, e A influência do rádio na dinâmica cultural das cantorias no estado da Paraíba, de Luiz Custódio da Silva.
A Revista Internacional de Folkcomunicação manteve sua regularidade editorial com quatro números publicados no período. O conjunto incluiu dossiês sobre comunicação, cultura e arte na América Latina; Folkcomunicação, mídia e produção audiovisual; e estudos de gênero. Com isso, a RIF alcançou 52 edições em mais de duas décadas de atividade.
Memória transformada em infraestrutura
A preservação da memória foi tratada como uma frente permanente, e não apenas como produção de homenagens. O portal institucional foi reestruturado para reunir acervo de livros, capítulos e anais; página histórica da associação; base de ementas de disciplinas; diretório de associados; banco de fontes; galerias; páginas de eventos e conteúdos em inglês.
Entrevistas, cartas, documentos e notícias antigas foram recuperados e republicados. Também foram produzidos registros audiovisuais sobre as trajetórias de Joseph Luyten, Severino Lucena Filho, Cristina Schmidt, Beatriz Dornelles e Luiz Custódio, entre outros pesquisadores.
Uma entrevista documental com Luitgarde Barros foi gravada e permanece em processo de edição. Também foi elaborado um projeto técnico para organização, descrição e disponibilização do acervo de Osvaldo Trigueiro. Nesse caso, a concepção está concluída, mas a implantação ainda depende da formalização de parcerias e da obtenção de recursos.
A série “80 dias, 80 livros sobre Folkcomunicação” começou a divulgar obras do acervo nas redes sociais e a direcionar o público para o catálogo do portal. Como ainda estava em desenvolvimento no encerramento do relatório, ela integra o conjunto de ações em execução, e não o quadro de entregas concluídas.
Pesquisa coletiva e projetos em construção
A pesquisa coletiva “Folkcomunicação: conceito, problemas e abordagens” foi refinada metodologicamente durante o mandato e mobilizou mais de 40 participantes. O levantamento examinou 1.045 artigos, teses e dissertações produzidos entre 2013 e 2023, dos quais 736 foram incorporados à etapa qualitativa.
Os procedimentos e resultados começaram a circular em atividades da ALAIC e da UERJ. A apresentação pública da nova fase, durante o Congresso Nacional da Intercom, também servirá como chamada para a entrada de outros pesquisadores.
A diretoria redigiu ainda duas propostas coletivas para o Edital Universal do CNPq. Uma delas foi associada à pesquisa coletiva; a outra, intitulada “Sobre o antes e o depois”, voltou-se à comunicação popular em territórios afetados por desastres socioambientais. O relatório registra a elaboração das propostas e a formação das redes de cooperação, sem apresentá-las como projetos aprovados.
Também permanecem em andamento o livro decorrente da Folkcom 2025, o documentário sobre Luitgarde Barros e a implantação do acervo Osvaldo Trigueiro. Ao identificar essas etapas, o balanço procura diferenciar aquilo que foi entregue do que deverá ser continuado.
Sustentabilidade e transição
Na área administrativa, a Rede regularizou sua anuidade junto à Socicom e implantou um sistema virtual para associação e renovação, com pagamentos por Pix, boleto ou cartão. A loja de camisetas criada durante o período contribuiu para despesas da Folkcom 2025. A comunicação interna também foi reorganizada em três espaços: o grupo aberto da Rede, o Mídias Folk, voltado à circulação de referências e oportunidades, e um canal de informes destinado aos associados.
A representação institucional foi mantida na Socicom e chegou à 77ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. A Rede também passou a ter presença no Comitê de Participação Social, Diversidade e Inclusão da Empresa Brasil de Comunicação, por meio de Karina Woitowicz.
O balanço antecede a posse da diretoria eleita para o biênio 2026–2028, marcada para 4 de setembro, durante o Congresso Nacional da Intercom, em Brasília. A nova composição receberá projetos concluídos, iniciativas em andamento e compromissos já preparados, como a Folkcom 2027.
“Uma Rede mais capilarizada, com agenda anual, maior capacidade de cooperação e instrumentos concretos para formar, publicar, premiar, preservar, comunicar e internacionalizar a Folkcomunicação”, resume o relatório.
Por se tratar de um registro coletivo, o documento poderá receber correções, complementações e novas indicações de atividades realizadas no período antes de sua consolidação definitiva.





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