Da Festa do Divino ao rap: Folk TV apresenta a cultura popular em 11 episódios
Produção da UEPG utiliza fotografias para explorar festas, devoções e expressões urbanas como formas de comunicação; confira todas as edições disponíveis
Uma procissão comunica a fé de uma comunidade. Um boneco de Judas pode expressar críticas ao cotidiano. Um muro grafitado faz circular ideias, enquanto uma batalha de rap transforma experiências das periferias em música. Essas diferentes maneiras de produzir e compartilhar sentidos atravessam a Folk TV, série audiovisual que aproxima manifestações culturais dos estudos de Folkcomunicação.
Disponíveis no canal da Rede Folkcom no YouTube, os 11 episódios percorrem festas religiosas, brincadeiras, artes e práticas culturais presentes em Ponta Grossa e em outros territórios paranaenses. Publicada entre maio e setembro de 2026, a série combina apresentação e registros fotográficos para mostrar como essas manifestações também transmitem informações, preservam memórias e expressam pertencimentos.
A Folk TV é uma produção do projeto “Mapeamento Fotográfico Folkcomunicacional da Cultura em Ponta Grossa”, do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Cultural e Folkcomunicação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Integrada às ações da Regional Sul da Rede Folkcom, a iniciativa conta com recursos da Fundação Araucária e da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Paraná. Fotografias do projeto de extensão Lente Quente, do curso de Jornalismo, estão presentes nas edições.
Este especial reúne os dez episódios numerados e a edição dedicada ao rap, com uma apresentação de cada tema e acesso aos vídeos completos.
1. Festa do Divino: a devoção pelo olhar da fotografia
A estreia acompanha a Festa do Divino Espírito Santo, celebrada há mais de um século em Ponta Grossa. Com apresentação da estudante Marina Ranzani e fotografias do Lente Quente, o episódio apresenta uma manifestação de fé marcada pelas características da cultura regional.
A caminhada religiosa abre o percurso da série: observar gestos, encontros e formas de participação que fazem da festa uma experiência coletiva e comunicacional.
2. Judas: quando a fé encontra a crítica social
Os bonecos que aparecem pela cidade no período da Páscoa são o ponto de partida da segunda edição. Fotografados por estudantes do Lente Quente, os Judas permitem aproximar o calendário religioso das formas populares de comentário e crítica.
O episódio apresenta essa relação entre fé e imaginário, mostrando como uma tradição também pode oferecer recursos para expressar opiniões sobre a vida em sociedade.
3. Circo: encontros culturais sob a lona
Acrobacias, palhaçadas, música e teatro compõem uma linguagem que atravessa gerações. Na terceira edição, o circo aparece como um espaço de encontro entre culturas, no qual histórias populares e críticas sociais também chegam ao picadeiro.
O programa destaca a capacidade dos palhaços de transformar o cotidiano em riso e apresenta o espetáculo circense como uma forma de comunicação que conecta experiências locais a uma arte praticada em diferentes partes do mundo.
4. Graffiti: a cidade se comunica pelas paredes
Os muros entram em cena como suportes de expressão. Por meio das fotografias, o episódio apresenta a presença do graffiti na paisagem urbana e sua relação com as ideias de quem ocupa e transforma esses espaços.
A edição amplia o percurso da série para além das festas e dos ritos religiosos, incluindo formas contemporâneas de intervenção artística e comunicação nas cidades.
5. Festa junina: fé e comemoração
A quinta edição se dedica a uma das manifestações populares mais difundidas no país. O episódio aproxima a dimensão religiosa da festa junina de seu caráter de celebração e convivência.
No conjunto da Folk TV, o tema ajuda a perceber como o calendário das comunidades organiza encontros e mantém referências culturais em circulação, renovadas a cada realização da festa.
6. Boi de mamão: personagens que preservam memórias
A Bernunça e os demais personagens do boi de mamão protagonizam a sexta edição. O programa apresenta a brincadeira como uma manifestação na qual dança, música e personagens participam da transmissão da memória popular.
O episódio chama atenção para os conhecimentos que circulam pela própria prática cultural: nas apresentações, nas relações entre brincantes e público e na continuidade da brincadeira.
7. Procissões: a fé ocupa as ruas
As caminhadas religiosas de Ponta Grossa mostram como a devoção reorganiza os espaços da cidade. O episódio percorre celebrações como Corpus Christi, com seus tapetes coloridos, e as procissões de Sant’Ana e de Nossa Senhora Aparecida.
Os trajetos aproximam diferentes grupos em torno de pedidos, agradecimentos e homenagens. A rua se torna lugar de encontro, e a manifestação religiosa oferece uma linguagem compartilhada para expressar a presença do sagrado na vida cotidiana.
8. Corina Portugal: devoção e ex-votos
A história de Corina Portugal, presente na fé popular de Ponta Grossa, conduz uma edição dedicada aos ex-votos. O episódio utiliza esse caso para apresentar um dos temas fundamentais da Folkcomunicação: as formas pelas quais as pessoas materializam sua relação com o sagrado.
O percurso aproxima uma referência da memória local de um conceito que ajuda a compreender mensagens, testemunhos e agradecimentos produzidos nos espaços de devoção.
9. Imigrantes: heranças culturais em Irati
A nona edição leva o olhar da série a Irati, no Paraná, para apresentar a presença da cultura polonesa no município. O episódio destaca tradições que permanecem vivas e participam da identidade de seus habitantes.
A imigração aparece, assim, também por suas heranças culturais: referências transmitidas entre gerações e incorporadas à vida de uma comunidade em outro território.
10. Capoeira: luta, dança e ancestralidade
A capoeira é apresentada como uma manifestação que articula luta, dança e conhecimentos ancestrais. O episódio acrescenta à série uma prática na qual a cultura se transmite também pelo corpo.
Sua inclusão reforça a variedade dos objetos abordados pela Folk TV, que aproxima manifestações religiosas, brincadeiras, artes e formas de expressão ligadas à experiência e à memória de diferentes grupos.
11. Rap: as experiências das ruas se tornam música
Na edição mais recente, a praça se transforma em palco para uma batalha de rimas. Os participantes ocupam o espaço público com letras que narram suas realidades e fazem circular experiências das periferias.
O programa aproxima ritmo, palavra e dança para apresentar o rap como comunicação popular. Ao encerrar este percurso, a rua reaparece como espaço de criação: lugar em que ideias, informações e sentimentos ganham forma artística e encontram seu público.
Produção: projeto “Mapeamento Fotográfico Folkcomunicacional da Cultura em Ponta Grossa”, do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Cultural e Folkcomunicação da UEPG.
Apoio financeiro: Fundação Araucária e Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Paraná.
Disponibilização dos vídeos: canal Rede Folkcom Oficial no YouTube.





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