Glossário
Atualizado: há 1 dia
Autoria original: Tânia Maria Martins Lopes
A revista Enfolkcom decidiu produzir um mini-glossário com algumas terminologias que foram utilizadas durante a 1ª Conferência de Folkcomunicação. O objetivo é que os leitores possam desfrutar deste novo conhecimento, além de estarem familiarizados com alguns termos que não fazem parte do nosso dia-a-dia.
Boibumbá — Tipo de brincadeira de Bumba-meu-boi conhecida por essa denominação na região Norte do Brasil. Conforme alguns estudiosos, o folguedo foi levado à região por brincantes maranhenses, mas assumiu características diferentes do Maranhão, com predominância maior de elementos indígenas. Na cidade de Parintins, na Amazônia, acontece no final do mês de junho a disputa entre os bois Garantido (vermelha e branco) e Caprichoso (azul e branco).
Bumba-meu-boi — Folguedo folclórico de maior significação social e estética. Possui, no Brasil, várias denominações: no Nordeste, Bumba-meu-boi (ou boi); Boi-bumbá, no Norte; Boizinho (e também Jacá) em São Paulo; e no Rio Grande do Sul, Boi de Mamão. O folguedo se originou no séc. XVII como brincadeira de escravos nas fazendas e engenhos e tem como personagem o boi. O enredo da brincadeira se dá quando o boi, animal útil na fazenda, é morto pelo negro escravo pai Francisco para tirar-lhe a língua, na intenção de dá-la a Catirina, grávida e desejosa de comê-la. O dono da fazenda descobre e prende pai Francisco, ameaçando-o de morte. Os pajés ou doutores são chamados a intervir e conseguem ressuscitar o boi. Contentes, os brincantes entoam cânticos de louvor e dançam ao redor do animal.
Carrancas — São figuras de proa com feições humanas e leoninas ao mesmo tempo. No Brasil, surgiram no rio São Francisco e no seu trecho médio. Para o pesquisador Paulo Pardal, existem explicações distintas para o aparecimento das carrancas no médio São Francisco. Uma delas apresenta como motivo original a proteção contra os duendes do rio, especialmente o Nego-d'Água e o Minhocão. Uma outra hipótese é que as figuras de proa funcionam como amuletos, protegendo os navegantes e a barca contra as maldições do rio São Francisco. Conforme Pardal, o motivo mais relevante para o aparecimento das carrancas na região foi o sentimento de regionalismo surgido em meados do séc. XIX em razão das tentativas feitas para a criação da província do São Francisco.
Congadas - Conhecidas também como Congos ou Congados, é uma cerimônia da coroação dos reis do Congo, originária de costumes africanos aproveitados com consentimento de autoridades, senhores de engenho e da igreja. São danças dramáticas relembrando lutas entre uma rainha africana (Ginga) e um rei do Congo (chamado em certos folguedos Coriongo).
Folkcomunicação — É a teoria criada por Luiz Beltrão que estuda o processo de intercâmbio de informações e manifestações de opiniões, idéias e atitudes do povo, através de agentes e meios ligados ao folclore e a mídia.
Malhação de Judas — Manifestação que chegou ao Brasil com os colonizadores e que acontece durante o Sábado de Aleluia, na Semana Santa, festejada pelos cristãos no mês abril. O ritual consiste em se queimar um boneco que é a personificação de Judas, o traidor de Cristo, conforme a Bíblia.
Maracatus — Folguedo que se apresenta durante o carnaval em Pernambuco. Sua formação e característica foram determinadas pelas condições do negro no período colonial e no império. Os escravocratas e a igreja incentivavam o ódio entre os negros de regiões diferentes para que não se voltassem contra o branco. Aos poucos, as lutas se transformaram num refúgio de canto e dança, acontecendo nas poucas horas de folga que o branco concedia aos escravos.
Tânia Maria Martins Lopes é Jornalista e mestranda em Comunicação Social da UMESP.
Fonte: Enfolkcom, outubro de 1998, pp. 62–63. Revista produzida por alunos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), com a cobertura da 1ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, realizada de 12 a 14 de agosto de 1998.
Esta republicação integra o acervo histórico da Rede Folkcom. A data de publicação deste post corresponde à abertura da conferência, em 12 de agosto de 1998.


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