Comunidades utilizam meios de comunicação de massa
Atualizado: há 1 dia
Autoria original: Eula Dantas Taveira
Quem disse que o massivo não tem relação com o popular, pode estar enganado. A doutoranda Catarina Tereza de Oliveira afirmou em sua exposição na 1ª Conferência de Folkcomunicação que existe interação entre a comunicação de massa e a cultura popular.
Conforme Catarina, “as experiências de comunicação popular representam formas de reivindicar o direito à palavra e de expressar as conquistas sociais dos movimentos populares”.
Talvez alguém diga: “Ah, mas movimentos populares estão ligados a emancipação de uma comunidade e não têm ligação com a cultura popular nem com o folclore”. Não esqueçamos, porém, que os termos anteriores estão ligados à maneira de ser e de viver do povo que se reúne cotidianamente formando grupo.
E, de acordo com a pesquisadora, a comunidade forma uma associação porque tem interesse em divulgar suas conquistas e ter reconhecimento dos membros. Para isso, descobriu que precisava utilizar veículos de comunicação atingindo todos os participantes.
Tudo começou com um sistema de alto-falante. E neste primeiro passo não teve o apoio da mídia, mas na maioria dos casos, de Organizações Não-Governamentais (Ongs). Assim, prestavam serviços de utilidade pública, transmissão de recados, avisos, músicas e debates.
É interessante observar que esse serviço, chamado de radiadora, surge dos interesses do povo em transmitir seus projetos e preocupações tendo como lema a comunidade. Mas com o tempo, chegaram à conclusão que o cotidiano dos moradores estava ligado aos “produtos” da comunicação de massa e aí, acabaram se incorporando a essa realidade.
Hoje as comunidades têm suas rádios e procuram informar da melhor maneira seus ouvintes. Algumas terão canais de TV e Internet. Isso parece contraditório. Dá impressão que as raízes do povo serão cortadas. Porém se cada grupo souber usar o veículo de comunicação, conscientizará o povo da importância de resgatar e viver o folclore.
Afinal, um gaúcho pode cantar uma música considerada de massa e ao mesmo tempo, brincar de roda entoando suas canções maternas. Isso não mata ninguém. A questão é assumir os laços de família e continuar vivendo ou relembrando o jeito de ser e viver dos moradores de sua “terrinha”.
Os meios de comunicação comunitários estão aí. Não são eles nem os de massa que acabarão com o folclore. Tudo depende do povo. Se quiser preservar sua cultura, com certeza nada o impedirá.
Eula Dantas Taveira é jornalista, educadora religiosa e mestranda em Comunicação Social da UMESP.
Fonte: Enfolkcom, outubro de 1998, pp. 29–30. Revista produzida por alunos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), com a cobertura da 1ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, realizada de 12 a 14 de agosto de 1998.
Esta republicação integra o acervo histórico da Rede Folkcom. A data de publicação deste post corresponde à abertura da conferência, em 12 de agosto de 1998.


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