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Folclore na mostra de produtos comunicacionais

12 de ago. de 1998
3 min de leitura

Atualizado: há 1 dia

Autoria original: Tânia Maria Martins Lopes


O vídeo Maracatus do Recife, apresentado pela estudante de graduação do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pesquisadora Sévia Vieira, deu início à mostra de produtos comunicacionais sobre folclore brasileiro, ocorridas durante a 1ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, realizada na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). A mostra teve a coordenação da doutoranda e professora da UMESP, Samantha Castelo Branco.


Maracatus do Recife foi produzido no laboratório de audiovisual da UFPE pelos estudantes do Departamento de Ciências Sociais e contou com a orientação do professor Luís Cavalcanti Lacerda. O vídeo é um documentário sobre os maracatus de baque virado, folguedo remanescente das coroações dos reis do Congo, e retrata a dinâmica cultural sofrida por essa brincadeira que faz parte do ciclo carnavalesco de Recife.


A pesquisadora Sévia Vieira apresentou, ainda, o vídeo Terra de Caboclo, resultado de uma pesquisa de campo (realizada há quase dois anos no município de Nazaré da Mata, ao norte de Pernambuco), sobre o maracatu rural, conhecido também como maracatu de baque solto. As imagens foram produzidas durante os três dias de carnaval deste ano.


O maracatu rural possui personagens como caboclo de lança (cuja função é proteger o cortejo), reis, rainhas, caboclos, baianas, bandeiristas, menina da placa, mestre que tira as loas (versos improvisados), dona da boneca, mestres de caboclo (pessoas que comandam a evolução do folguedo), rei amar (que representa o índio), entre outros personagens. A essência desse tipo de maracatu é a umbanda. Segundo Sévia Vieira, para o maracatu sair às ruas há todo um ritual respeitado pelos brincantes: existe um período de abstinência sexual que varia entre três, catorze ou quinze dias. Além disso, os participantes do folguedo tomam banho de descarrego à base de sete ervas, acendem velas e fazem orações pedindo proteção. Alguns caboclos, conforme a pesquisadora, recebem entidades mediúnicas.


Projeto Integrado


A professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), Maria do Socorro Simões, durante a mostra de produtos comunicacionais sobre folclore brasileiro, apresentou o CD-ROM com narrativas recolhidas no médio Amazonas. O CD faz parte de um projeto integrado de maior envergadura, que conta com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), sobre o imaginário nas formas de narrativas orais populares da Amazônia. O trabalho, que começou a ser desenvolvido em 1994, conta com 14 subprojetos nas áreas de linguística, antropologia, semiótica e educação. Posteriormente, será feito um CD-ROM com as narrativas indígenas, com versão na língua inglesa.


Com a temática São João com Azaléias nos Pés, o professor Daniel Galindo, da UMESP fez uma exposição mostrando como a publicidade utilizou-se de um referencial de festas juninas para vender a imagem de uma marca de calçados. Segundo Galindo, a imagem publicitária precisa chamar atenção, causar impacto. Antes de ser uma mensagem, deve ser uma paisagem e impressionar. O professor mostrou três vinhetas de dez segundos cada uma sobre a campanha inspirada no folclore.


Tânia Maria Martins Lopes é jornalista e mestranda em Comunicação Social da UMESP.


Fonte: Enfolkcom, outubro de 1998, pp. 13–14. Revista produzida por alunos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), com a cobertura da 1ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, realizada de 12 a 14 de agosto de 1998.


Esta republicação integra o acervo histórico da Rede Folkcom. A data de publicação deste post corresponde à abertura da conferência, em 12 de agosto de 1998.


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