Vida e obra de Luiz Beltrão
Atualizado: há 23 horas
Autoria original: Maria Cristina Gobbi
Luiz Beltrão de Andrade Lima, nascido em 8 de agosto de 1918, religioso fervoroso, quando jovem sonhava ser padre. Isto acontece em 1930. Porém com o tempo, descobre que sua grande vocação encontra-se fora dos portões do Seminário. Um desejo grande de liberdade, de contato com pessoas e a curiosidade de descobrir e conhecer melhor os mistérios do comportamento humano, eram quase infinitos. As diferenças entre o mundo que vivera e o que se descortinava, fizeram com que Luiz Beltrão, encontrasse no jornalismo um novo horizonte.
O Diário de Pernambuco, em 1936, no cargo de revisor, foi seu primeiro contato com a nova profissão. Dois dias após foi “promovido”, como gostava de ironizar o próprio Beltrão, designado para as funções de arquivista de clichês. Em seguida passou a tradutor de telegrama e depois disso tornou-se repórter. Sua formação humanística contribuiu para ressaltar a habilidade e sensibilidade em escrever, a criatividade e inquietação de observador. Tais requisitos o levaram à profissão de jornalista, recebendo o registro em 1940.
Atuando em diversos jornais como Diário de Pernambuco, Correio do Povo e Jornal Pequeno, também nas agências de notícias Asapress e Francepress e nas revistas Tudo, Guanabara Press, São Paulo Press e Capibaribe, exerce a profissão durante quase 30 anos.
Mas, seu espírito inquietante não parou por aí. A responsabilidade social levou-o ao compromisso de uma nova profissão: professor. A personalidade inovadora de professor levou-o à função de pesquisador das Ciências da Comunicação. Em pouco tempo, o estudo de comunicação constitui-se campo de batalha, não só intelectual, mas também econômico e político.
Beltrão destaca-se tanto em sua capacidade profissional, como em sua grandeza intelectual. Suas qualidades não passam despercebidas. Toda sua carreira é marcada pela inovação, espírito de luta, responsabilidade e determinação.
Em 1960, preocupado com a qualidade da formação de seus alunos, escreve o livro Iniciação à Filosofia do Jornalismo (editora Agir). É uma obra clássica, utilizada até hoje nos cursos de jornalismo, em todo o país.
“Luiz Beltrão não media sacrifícios, embrenhava-se em cansativas viagens, ora para Natal, ora para João Pessoa. Algumas horas de descanso e logo estava ele a ministrar suas aulas.”
Em 1963, vê o sonho da criação do Icinform realizado. O Instituto de Ciências da Informação ganha sua sede na cidade de Recife.
Beltrão assume em 1965, a direção da Faculdade de Comunicação de Massa da Universidade de Brasília (UnB).
Mesmo sendo reconhecido não só no Brasil, mas com grande notoriedade internacional, Luiz Beltrão, em toda sua simplicidade, num incentivo à pesquisa e à constante atualização, apresenta sua tese de doutorado. Sob o título Folkcomunicação: um estudo dos agentes e meios populares de informação de fatos e expressões de idéias, é aprovado com distinção e louvor. Estávamos em plena ditadura militar e Beltrão teve seu título de doutor cassado, logo em seguida.
Somente em dezembro de 1984, é reconhecido e homenageado como Pioneiro do Ensino de Jornalismo no país. O Brasil reconhece publicamente as grandes contribuições desse mestre, estudioso e pesquisador.
Em 24 de outubro de 1986, o país perde um dos mais brilhantes cientistas sociais deste século. Morre Luiz Beltrão.
Maria Cristina Gobbi é matemática e mestranda em Comunicação Social da UMESP.
Fonte: Enfolkcom, outubro de 1998, pp. 5–6. Revista produzida por alunos do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), com a cobertura da 1ª Conferência Brasileira de Folkcomunicação, realizada de 12 a 14 de agosto de 1998.
Esta republicação integra o acervo histórico da Rede Folkcom. A data de publicação deste post corresponde à abertura da conferência, em 12 de agosto de 1998.


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