Confira as teses e dissertações de Folkcomunicação defendidas em 2025
- Andriolli Costa
- há 2 dias
- 3 min de leitura
A representatividade feminina na cultura repentista no FEMI — Festival de Mulheres do Improviso em Campina Grande–PB
Oma Roxana Cordeiro de Oliveira (UFRN, 2025)
Orientação: Itamar de Morais Nobre
Curso: Programa de Pós-Graduação em Estudos da Mídia
A dissertação examina letras e temas apresentados nas segunda e terceira edições do FEMI, disponibilizadas no YouTube, para compreender a presença das mulheres em um campo historicamente masculino. Por meio de análise de conteúdo e netnografia, a autora discute ocupação de espaços, visibilidade, gênero, hegemonia e decolonialidade. O estudo mostra que, mesmo após o reconhecimento do repente como patrimônio cultural, as mulheres ainda aparecem frequentemente como assunto dos versos, e não como autoras. O FEMI surge, portanto, como espaço político-cultural de protagonismo, circulação de vozes femininas e contestação das desigualdades presentes na cantoria.
Entre mundos: histórias da tradição oral transpostas para o formato podcast
Marilaine Martins Camargo (UTP, 2025)
Orientação: Mônica Cristine Fort; coorientador: Marcio Telles
Curso: Program de Pós-Graduação em Comunicação e Linguagens
A dissertação investiga a passagem de histórias da tradição oral para narrativas sonoras digitais, analisando os podcasts Cidade das Lendas e Pavulagem. A pesquisa qualitativa observa como território, temporalidade, manifestações culturais e paisagem sonora participam da construção de identidades coletivas. Articulando folkcomunicação, identidade pós-moderna e hibridação cultural, a autora conclui que os podcasts ajudam a evocar memórias e a preservar narrativas tradicionais, permitindo que elas atravessem fronteiras geográficas. Ao mesmo tempo, sua circulação em plataformas comerciais coloca essas histórias diante das lógicas e limitações do capitalismo digital.

Folkturismo e Bumba Meu Boi do Maranhão: identidade e lógicas de produção e consumo cultural
Antônio Jorlan Soares de Abreu (UFPR, 2025)
Orientação: André Riani Costa Perinotto; coorientadora: Melise de Lima Pereira
Curso: Programa de Pós-Graduação em Turismo
A pesquisa analisa a relação entre Bumba Meu Boi, turismo, identidade local e políticas públicas, combinando netnografia, levantamento quantitativo, revisão bibliográfica e entrevistas com representantes governamentais e grupos folclóricos. Os resultados mostram que a manifestação ocupa posição central na atração de visitantes e no setor de lazer maranhense, especialmente no São João de 2022. Entretanto, a comparação entre políticas públicas e demandas culturais revela aproximações e distanciamentos na valorização efetiva do Bumba Meu Boi. O estudo defende o folkturismo como possibilidade de desenvolvimento regional e oferece um diagnóstico para o aprimoramento das políticas de turismo cultural.
Texto indisponível
Comunicação de resistência: o ex-voto presente na brincadeira do boi-bumbá de Parintins-AM
Onan Ferreira da Silva (Unesp, 2025)
Orientação: Maria Cristina Gobbi
Curso: Programa de Pós-Graduação em Comunicação – FAAC
A dissertação interpreta os bois-bumbás de Parintins como práticas ex-votivas que permanecem e se transformam ao longo do tempo. Apoiada na teoria da folkcomunicação, a pesquisa bibliográfica e documental identifica características comunicacionais associadas à promessa, ao agradecimento, à memória e à resistência cultural. Ao deslocar o olhar do espetáculo turístico para suas raízes votivas, o trabalho evidencia que Garantido e Caprichoso também expressam formas artesanais e populares de comunicação. A brincadeira é apresentada, assim, como processo no qual fé, cultura e identidade continuam sendo transmitidas apesar das mudanças impostas pela espetacularização.
As mediações do Fandango Caiçara: uma análise sobre comunicação popular
Rodrigo Borges Pereira da Fonseca (Uniso, 2025)
Orientação: Thífani Postali
Curso: Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura
A dissertação investiga como o Fandango Caiçara articula tradição e contemporaneidade por meio de diferentes mediações comunicacionais. A pesquisa etnográfica, realizada entre 2024 e 2025, reuniu observação participante e 16 entrevistas com mestres, músicos e lideranças de Cananéia, Iguape e Ubatuba. O autor identifica transformações provocadas por políticas culturais, festas, turismo, meios digitais e formatos de espetáculo, mas também estratégias comunitárias de resistência e reinvenção. Conclui que o Fandango produz sua própria comunicação, adaptando-se à modernidade e à cultura de massa sem abandonar completamente suas matrizes identitárias.
Migração, cultura gastronômica e folkcomunicação: a comunidade judaica de Pernambuco acerca de sua culinária de origem
Iêda Litwak de Andrade Cezar (Umesp, 2025)
Orientação: Camila Escudero; coorientadora: Joseana Maria Saraiva
Curso: Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social
A tese investiga como a culinária trazida pelas diferentes correntes de imigração judaica é mantida, adaptada e transmitida pela comunidade de Pernambuco. A alimentação é tratada como linguagem cultural que reúne memória migratória, religiosidade, pertencimento e comunicação entre gerações. O material público indica o uso de entrevistas em profundidade e questionários junto à comunidade. Os resultados mostram que práticas religiosas e celebrações do calendário judaico continuam sendo reproduzidas por meio dos alimentos, mesmo quando receitas e ingredientes passam por adaptações locais. A culinária funciona, assim, como veículo folkcomunicacional de preservação e atualização da identidade coletiva.




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