
Mídia, cidadania e utopia no Brasil
2016
José Marques de Melo
O artigo relaciona a folkcomunicação à construção histórica da cidadania e da mídia popular no Brasil. Diante da ausência de imprensa e participação democrática, as classes populares desenvolveram meios próprios de expressão. Luiz Beltrão denominou esse conjunto de manifestações artesanais, criativas e populares de sistema de folkcomunicação. Esse sistema inclui oralidade, cordel, festas, manifestações religiosas, artesanato, música e outras linguagens simbólicas. A folkcomunicação atua como mídia contra-hegemônica, permitindo que grupos marginalizados comuniquem demandas e resistências. Ela coexiste dialeticamente com a comunicação massiva, reinterpretando e recodificando suas mensagens nas comunidades. Marques de Melo também destaca o contrafluxo folkmidiático, no qual a indústria cultural se apropria das manifestações populares. Na sociedade contemporânea, agentes folk incorporam tecnologias digitais, ampliando seus canais de circulação e intervenção pública. A aproximação entre folkcomunicação e mídia massiva pode favorecer diversidade cultural, participação social e inclusão midiática. O autor defende pesquisas e políticas públicas que reconheçam essas práticas como instrumentos de cidadania e resistência cultural.
Um convite à utopia
