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Cultura gastronômica e folkcomunicação: a culinária dos festejos juninos do Alto do Moura no município de Caruaru-Pernambuco

Iêda Litwak de Andrade Cezar

2013

Betania Maciel, Joseana Maria Saraiva

Orientador(a):

Este trabalho trata-se de um estudo que tem por objetivo investigar as tradições e tendências da gastronomia nas festividades juninas no Alto do Moura - Caruaru – PE empreendidas pelas organizações pública - privada como ação geradora de desenvolvimento local, a luz da teoria da folkcomunicação estudada por Beltrão, Benjamin, Melo, Lucena Filho, Maciel, Trigueiro, Silva, Schmidt, Gobbi, dentre outros. Entre os teóricos, na perspectiva do desenvolvimento local - territorial, Tenório, Franco, Veiga, Cragnolino, Jesus, Tauk Santos e Callou além de, no cenário da gastronomia, Cascudo, Freyre, Freixa e Chaves, Possamai e Peccini. Articulada aos órgãos públicos e as empresas, os meios de comunicação social se apropriam das manifestações e expressões da cultura popular junina, utiliza-se de estratégias de marketing para preencher os espaços na programação das emissoras de rádio, televisão, bem como reportagens nos jornais diários para divulgar os festejos juninos. Mas, essa condição comporta outra dimensão já bastante perceptível no imaginário popular dos atores sociais, a destradicionalização dos festejos juninos. É nesse campo híbrido entre o midiático e o tradicional que este estudo se afirma, não se contrapondo ao fenômeno em si, mas, ao seu modelo de apropriação da cultura popular em detrimento da sua valorização e preservação, no caso da cultura gastronômica junina fomentando sua destradicionalização. Utilizou-se nas análises um enfoque qualitativo, privilegiando a pesquisa de campo qualitativa, numa abordagem exploratória e etnográfica com observações in loco, registros de relatos, imagens, reportagens, entrevistas e questionários. É a partir desse discurso que se analisa as estratégias de Folkmarketing na construção da realização dos festejos juninos no Alto do Moura, utilizando-se de imagens carregadas de significados que interatuam as comemorações, transvestidas em suas comunicações a lógica do mercado globalizado. As análises e interpretações dos resultados mostram que a crescente troca de significados e símbolos da cultura popular junina, incluindo a gastronômica, impulsionada pela globalização dos mercados vem sofrendo significativas transformações em sua forma de organização, mas especificamente, no local onde se realizou o estudo. É possível afirmar que a mídia de massa se apropria do discurso popular em defesa da promoção da cultura junina, inclusive da sua gastronomia, com o propósito meramente lucrativo e vantajoso para o mercado. Nesse contexto as expressões folkcomunicacionais dos festejos, a gastronomia ou comida junina largamente utilizada pela mídia serve apenas para legitimar um discurso, uma vez que essas expressões assumem grande peso na cultura popular da região e brasileira, esvaziada de seu conteúdo e mantida no discurso da mídia de massa no nível simbólico. Nesse contexto, os atores locais não participam da organização do evento junino onde se realizou o estudo, não se constituindo, portanto sujeito do processo de desenvolvimento local no campo econômico, político e sociocultural, excluído e não reconhecido em sua estória e seu sistema de normas e valores, contrariando o que propõe a teoria folkcomunicação.

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