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José Marques de Melo: Maturidade da Folkcomunicação

22 de mai. de 2015
2 min de leitura

Institucionalizando-se como disciplina acadêmica, a Folkcomunicação reuniu mais de uma centena de pesquisadores, em São Paulo, nos dias 27 e 29 de março para fazer o balanço de meio século de pesquisas na área.


Tal evento faz parte do programa trienal organizado pela Rede Folkcom para comemorar a efeméride. O primeiro foi realizado em Portugal, em abril de 2014, e o próximo está agendado para 7 a 9 de abril de 2016, na cidade de Valdivia (Chile), tendo como anfitrião o professor Dr. Christian Aguilar (Universidade Austral).


Essa ampliação do universo folkcomunicacional vem ocorrendo virtualmente, desde que a Universidade Estadual de Ponta Grossa abrigou a Revista Internacional de Folkcomunicação. Foi justamente a qualidade editorial desse periódico mantido sob a direção de Karina Woitovicz que induziu a Fundação Araucária a financiar sua circulação na web.


O paradigma folkcomunicacional foi desdenhado por intelectuais apocalípticos que teciam loas à modernidade programada para o terceiro mundo no processo de globalização. Afirmavam que esse campo de estudos tinha seus dias contados. Tais previsões não se confirmaram. Ao contrário, o subdesenvolvimento tornou-se mais cruel, acentuando a exclusão cognitiva.


Duvidando daquelas expectativas pessimistas, fiz em 2005 uma observação folkcomunicacional, notando tendência expansionista gerada pela internet nesse campo de estudos. Voltei a mensurar tais indicadores em 2015, ficando impressionado com a progressão quantificada no decênio.


O campo folkcomunicacional teve um crescimento expressivo, da ordem de 2,5/ano, saltando de 1.118 referências (2005) para 28.300 (2015), o que elevou 6 vezes o patamar ocupado pela disciplina no espaço universitário, contemplada com 823 referências em 2005, que foram estabelecidas para 4.820 em 2015.


Mas, sem sombra de dúvida, o maior beneficiário desse expansionismo folkcomunicacional nas redes de informação digitalizada foi o criador da disciplina – Luiz Beltrão. Sua projeção mundial denota grandeza vertiginosa, da ordem de 1.745 vezes neste decênio. Em 2005 ele obteve 295 referências na internet, cifra que em 2015 alcançou o patamar de 515.000 reverências, conotando verdadeira consagração acadêmica.


Comparado aos parceiros da sua geração, Luiz Beltrão ocupa espaço maior que aquele ocupado por Decio Pignatari, Carlos Rizzini e Danton Jobim.


Trata-se de reconhecimento que transborda o espaço folkcomunicacional, uma vez que o pioneirismo de Luiz Beltrão tem vigência notável em outras disciplinas – jornalismo, literatura, pedagogia e teoria da comunicação – circunstância que explica sua crescente projeção no espaço digital, sendo o hoje o intelectual brasileiro mais referenciado na internet, no âmbito das ciências da comunicação.


Jornalista, professor universitário, pesquisador científico, consultor acadêmico, autor de diversos livros, foi docente da ECA-USP e é atualmente o titular da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo (www.marquesdemelo.pro.br).

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