Dr. Cristian Yáñez Aguilar: Acadêmico da UACh recebe o Prêmio Nacional Rodolfo Lenz
- Andriolli Costa
- 29 de nov. de 2024
- 6 min de leitura
Publicado por UACh
Em 29/11/2024
O prêmio será entregue pela Seção de Folclore da Sociedade Chilena de História e Geografia na cidade de Santiago, na quarta-feira, 11 de dezembro, às 11h30, no Salão do Honorável Senado do Congresso Nacional.
Por sua valiosa e sólida contribuição aos estudos e à difusão da cultura tradicional, folclórica e popular do país, a Seção de Folclore da Sociedade Chilena de História e Geografia concederá ao acadêmico da Universidade Austral do Chile Dr. Cristian Yáñez Aguilar o Prêmio Nacional Rodolfo Lenz 2024, na categoria Pesquisa.
A Sociedade de Folclore Chileno foi fundada em 18 de julho de 1909 pelo Dr. Rodolfo Lenz, renomado acadêmico alemão contratado pelo governo chileno em 1889 para lecionar no Instituto Pedagógico. A fundação da sociedade ocorreu em conjunto com destacados intelectuais da época. Em 1911, a mesma entidade colaborou ativamente para a criação da Sociedade Chilena de História e Geografia, tornando-se sua Seção de Folclore.
Como homenagem ao fundador, a direção da Seção instituiu, a partir de 2024, o Prêmio Nacional Rodolfo Lenz em duas categorias: Pesquisa e Trajetória.
“É uma responsabilidade enorme”
Para o Dr. Cristian Yáñez, trata-se de um reconhecimento que recebe com enorme senso de responsabilidade e humildade. “Agradeço profundamente à Seção de Folclore da Sociedade Chilena de História e Geografia. É uma responsabilidade enorme porque se trata de uma instituição que dá continuidade à Sociedade de Folclore Chileno, entidade pioneira no país e na América Latina que deu início — sob esse enfoque — ao estudo das manifestações populares no contexto do surgimento das ciências sociais no Chile.”
Ele acrescenta que o recebe “com muita honra, porque, além disso, o prêmio rememora a figura do Dr. Rodolfo Lenz, impulsionador da Sociedade de Folclore Chileno e um intelectual que abriu espaços pioneiros no Chile e promoveu a valorização dos conhecimentos e das manifestações de gênero popular no mundo acadêmico. Isso me fez pensar na enorme responsabilidade que este reconhecimento implica”.
Ele também recebe o prêmio “com uma sensibilidade coletiva. Nesse sentido, penso na importância do trabalho desenvolvido na Faculdade de Filosofia e Humanidades e, em particular, no Instituto de Comunicação Social, onde venho realizando minha atividade acadêmica de ensino e pesquisa, sempre com o apoio afetuoso de meus colegas”.
“Penso em nossos estudantes, que são o motor de nossa atividade docente e de pesquisa. Penso também como ex-aluno, porque a Universidade Austral do Chile é minha alma mater e foi aqui que descobri que o mundo acadêmico pode ser um espaço de desenvolvimento epistêmico e sociocultural quando é assumido com compromisso e perseverança”, afirma.
O que você mais destacaria em sua contribuição?
“Em primeiro lugar, vimos desenvolvendo um estudo das manifestações de gênero popular a partir de abordagens contemporâneas, especialmente comunicacionais, dos estudos folclóricos. Em segundo lugar, está o trabalho de aproximação com os novos paradigmas do campo dos estudos folclóricos que se desenvolveram por meio da pós-graduação em universidades norte-americanas e europeias, além de alguns centros da América Latina, como a Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade de Buenos Aires (UBA). O terceiro aspecto é o esforço de historicizar o campo do folclore no Chile.”
Por que é importante, no Chile de hoje, revitalizar os estudos e a difusão do folclore do país?
“O campo cultural do folclore reúne sobretudo artistas que seguem diferentes fundamentos estéticos, às vezes com um capital conceitual explícito, outras vezes bastante implícito. Atualmente, muitos dos referenciais conceituais provêm de áreas como as artes e, ocasionalmente, de algumas disciplinas sociais, mas nem sempre dos chamados estudos folclóricos. Também se destacam comunicadores sociais e gestores culturais que situam suas práticas profissionais no campo do folclore ou que utilizam essa categoria de diferentes maneiras. Além disso, como ocorreu em vários países da América Latina, a categoria folclore institucionalizou-se em espaços governamentais, mais ou menos entre 1930 e 1970. Por volta dessa época, produziu-se uma ruptura entre os postulados que vinham sendo desenvolvidos desde a década de 1940 e aquilo que, a partir do final do século XX, ficou conhecido como Novas Perspectivas dos Estudos Folclóricos. Estas últimas passaram a abordar temas como o nacionalismo, a questão das identidades, o colonialismo, os conflitos e as tradições, além de incorporarem a questão da profundidade epistemológica.”
“No entanto, e por razões que também se relacionam aos processos políticos do período, acabou ocorrendo um distanciamento da academia em relação aos postulados do século XX e, consequentemente, à própria categoria de folclore, embora esta tenha continuado a ser fundamental em espaços socioculturais relevantes. Soma-se a isso a enorme presença do ensino do folclore, que, no Chile, integra o currículo das disciplinas cursadas pelas crianças no ensino fundamental e médio e faz parte dos processos de socialização. Esses são alguns dos elementos que nos levam a tentar contribuir para dar visibilidade a determinados paradigmas contemporâneos que possam dialogar, de um lado, com os desenvolvimentos acadêmicos e, de outro, com os próprios agentes que integram esse campo e com aqueles que aos poucos se incorporam a ele como artistas, educadores, comunicadores ou gestores.”
É interessante que você não apenas estuda o folclore, mas também o coloca em prática. Como se dá essa combinação entre teoria, pesquisa e prática?
“Minha ligação com o campo artístico do folclore vem da infância na Ilha de Quehui, no arquipélago de Chiloé. Meu avô, Agustín Aguilar, foi músico da ilha nas mingas e medanes que vivenciou como parte de seu contexto. Posteriormente, minha mãe, Tatiana Aguilar, passou a atuar no campo artístico do folclore por meio dos Conjuntos Folclóricos do Magistério em Chiloé, assim como meu pai, Ramón Yáñez, compositor de muitas canções que preservam memórias do mundo insular e falam das transformações sociais e ambientais. Sempre participei desse mundo pela experiência vivida. Mais tarde, como estudante da UACh, integrei o Ballet Folclórico até os últimos anos em que esteve sob a direção do professor Julio Mariángel. A Universidade Austral do Chile foi o espaço onde encontrei ferramentas que me levaram a começar a refletir sobre todo esse caudal de expressões a partir de uma posição mais analítica e crítica. Depois, pude avançar no estudo dos novos paradigmas durante o estágio de doutorado na Universidade de Buenos Aires e na Folklore Fellows’ Summer School. Evidentemente, durante todo esse tempo foram fundamentais meus vínculos com pesquisadores da Rede de Folkcomunicação no Brasil, com especialistas em manifestações expressivas em âmbito internacional e com meus colegas do ICOM e da Faculdade, que desenvolvem um trabalho muito significativo sobre temas culturais a partir das ciências sociais e da semiótica.”
Que mensagem você gostaria de compartilhar com os ex-alunos e os estudantes da UACh?
“Eu diria às e aos estudantes que aproveitem o espaço oferecido pela universidade como instância formativa, mas que não se restrinjam à dimensão instrumental dos conhecimentos; que utilizem sempre essas ferramentas para contribuir com a sociedade a partir dos saberes que cultivam. Como ex-aluno, valorizo o fato de que, vindo de um mundo insular com o qual aprendi muito, tive aqui a possibilidade de construir um caminho acadêmico que descobri enquanto cursava as disciplinas da graduação em Jornalismo, e de que sempre recebi estímulo para desenvolver minhas buscas, ainda que elas não se enquadrassem nos paradigmas predominantes.”
Trajetória de destaque
Doutor em Ciências Humanas, com ênfase em Discurso e Cultura, pela Universidade Austral do Chile. Participou da Folklore Fellows’ Summer School, na School of Humanities da University of Eastern Finland (UEF), Finlândia. Realizou estágio de doutorado para estudos sobre as Novas Perspectivas dos Estudos Folclóricos em torno das teorias da performance na Universidade de Buenos Aires, Argentina. É mestre em Comunicação pela Universidade Austral do Chile (UACh) e possui pós-graduação em Pesquisa Musical pela Pontifícia Universidade Católica de Valparaíso (PUCV). É bacharel em Comunicação Social e em Humanidades e Ciências Sociais, além de jornalista formado pela UACh. É membro da Confederação de Acordeonistas do Chile. Realizou estudos no Programa Profissional de Acordeão do Conservatório Nacional de Acordeão CNA-Chile. É professor adjunto do Instituto de Comunicação Social da Universidade Austral do Chile, onde ministra aulas de graduação e pós-graduação. Possui mais de setenta publicações, entre livros de sua autoria, organização de livros, capítulos e artigos acadêmicos.
Entre algumas de suas publicações como autor e organizador de livros, podem ser mencionadas as seguintes: “Mestres, cultores e folcloristas: uma aproximação histórica aos Conjuntos Folclóricos do Magistério em Chiloé” (Ediciones Kultrún, 2023); “Seguidillas: ecos, melodias e contextos de um gênero folclórico para além das fronteiras”, volume II, Editorial La Mancha (Espanha), em coautoria com Lola Segarra e Francisco Javier Moya Maleno (2024), e volume I (COYDE Los Ríos, 2022). Também publicou o livro “Folclore e Comunicação: abordagens para a análise cultural” (Ediciones Universidad de La Frontera), organizado em parceria com o Dr. Fernando Fischman, e “Canto, memória e festa na Chiloé insular: gozos e cantos religiosos nas ilhas de Quehui e Chelín” (Texto Contexto, 2017), entre outros. É também autor de capítulos de livros e artigos em revistas acadêmicas. É coordenador da DTI “Folkcomunicação” na Associação Ibero-Americana de Investigação da Comunicação e vice-coordenador do GT1 “Comunicação Intercultural e Folkcomunicação” da Associação Latino-Americana de Investigação da Comunicação. No período de 2022 a 2024, foi presidente da seção chilena da IOV (Organização Internacional de Arte Popular) e membro da diretoria da Corporação Cultural Municipal de Valdivia. Atua artisticamente com grupos do campo cultural do folclore.




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