[Clipping] Chamada de artigos: Folkcomunicação em cenários latino-americanos
- Andriolli Costa
- 7 de ago. de 2020
- 4 min de leitura
A Revista Internacional de Folkcomunicação (RIF) recebe artigos, até 20 de setembro, para o dossiê temático “Folkcomunicação em cenários latino-americanos”. A organização do dossiê, que será publicado na edição de dezembro de 2020, ficará a cargo do professor Dr. Fernando Fischman (Universidade de Buenos Aires, Instituto de Pesquisas Sociais da América Latina – FLACSO/CONICET), do professor Dr. Cristian Yáñez Aguilar (Universidade Austral do Chile) e da professora Dra. Clemencia Leon (Serviço Nacional de Aprendizagem – SENA, Colômbia).
Embora a proposta conceitual em torno da folkcomunicação tenha surgido no Brasil por volta da década de 1960, com Luiz Beltrão, nos últimos anos numerosos processos sociais começaram a ser abordados a partir dessa perspectiva em outros espaços socioculturais da América Latina. Neles, observam-se “procedimentos comunicacionais por meio dos quais as manifestações da cultura popular ou do folclore se expandem, socializam-se, convivem com outras cadeias comunicacionais e sofrem modificações pela influência da comunicação massificada e industrializada” (HOHLFELDT apud JUSTINO, 2013, p. 22).
Em um contexto econômico e social marcado por diversas formas de subalternização que afetam identidades culturais, de gênero, de classe, étnicas, migrantes e territoriais, entre outras, torna-se relevante abordar e dar visibilidade aos processos de produção, circulação e consumo, bem como às interações entre comunicação e cultura que revelam diversos cenários nos quais os agentes populares encenam e realizam processos de reafirmação ideológica. Um exemplo significativo está nas mobilizações atuais, em que são recontextualizados ícones de grupos representativos contra a repressão, como ocorreu nas marchas de outubro de 2019 no Chile. Nessas manifestações, os estudantes voltaram a ter participação muito ativa, e os manifestantes deram visibilidade ao “Matapacos”, associado a alguns cães que acompanhavam os protestos. Assim, a rua, os muros, as canções populares, os cartazes, os memes, as literaturas de cordel e outras manifestações de gênero transformam-se em formas de comunicação que constroem, reconstroem e difundem novos imaginários e identidades, ao mesmo tempo que os circuitos digitais também desempenham esse papel. Além disso, os meios de comunicação dominantes utilizam, em seus próprios circuitos, representações sobre identidades, manifestações culturais e grupos sociais subalternizados.
Da mesma forma, o atual contexto sanitário provocado pela Covid-19 configura um novo marco para a produção desses processos. Trata-se de um movimento complexo que convida a ser pensado a partir da folkcomunicação, mas que, ao lado das abordagens empíricas, também torna relevante a presença de pesquisas que, em termos epistemológicos, teóricos e metodológicos, estabeleçam pontes entre a folkcomunicação e perspectivas próximas a problemas e objetos de estudo semelhantes, oriundas das teorias da comunicação, dos estudos culturais e dos estudos folclóricos na América Latina.
Levando em conta o exposto, convidamos pesquisadoras e pesquisadores de diferentes campos disciplinares e abordagens a apresentar trabalhos sobre os variados cenários em que se articulam processos comunicacionais e culturais, juntamente com reflexões epistemológicas e teórico-metodológicas. Nosso objetivo é colocar a folkcomunicação em diálogo com outras teorias da comunicação, com os estudos folclóricos e com os estudos da cultura, enriquecendo as abordagens para a construção de estudos situados em diferentes espaços latino-americanos.
Com base no exposto, convidamos ao envio de artigos nas seguintes linhas e eixos:
L1. Desenvolvimentos epistemológicos, teóricos e metodológicos:
E1. A história da folkcomunicação na América Hispânica
E2. Diálogos entre a folkcomunicação e os estudos folclóricos
E3. Convergências e divergências entre a folkcomunicação e outras perspectivas comunicacionais no continente
E4. Folkcomunicação e estudos sobre a cultura na América Latina
L2. Folkcomunicação e meios de comunicação de massa:
E1. Representações nos meios hegemônicos acerca das práticas culturais de setores subalternizados no contexto da pandemia
E2. Apropriação de elementos culturais populares subalternos pelos meios de comunicação hegemônicos
E3. Apropriação de referências e conteúdos provenientes dos meios de comunicação de massa em cenários culturais de comunidades subalternizadas ou em contextos de resistência cultural
L3. Comunicação digital e folkcomunicação:
E1. Cobertura jornalística digital sobre identidade(s) e cultura(s)
E2. As redes sociais e a promoção de espaços de interculturalidade
E3. Líderes de opinião em espaços da cultura popular
E4. Representações nos meios hegemônicos acerca das práticas culturais de setores subalternizados no contexto da pandemia
E5. Análises folkcomunicacionais de fake news
E6. As manifestações populares em rede no contexto da pandemia de coronavírus
E7. Recontextualização de discursos xenófobos e racistas nas redes sociais
E8. Mapeamento de manifestações da cultura popular na internet
E9. A força de opinião pública do meme
L4. Comunicação, cultura popular e movimentos sociais:
E1. A cultura e o folclore como mecanismos de protesto na América Latina
E2. A cultura popular na construção de novos imaginários de resistência
E3. A iconografia popular como elemento de reafirmação ideológica
E4. O uso de elementos populares nos novos discursos sobre cultura matriarcal e patriarcal
E5. Reconhecimento de novas identidades e direitos a partir das manifestações culturais
E6. Recontextualizações contemporâneas de práticas e discursos populares na América Latina
Os artigos podem ser enviados em espanhol, português ou inglês até 20 de setembro, diretamente pelo sistema on-line da revista.
Os textos, de 12 a 15 páginas, devem conter resumos em espanhol, português e inglês, com extensão entre cinco e dez linhas, além de três a cinco palavras-chave que expressem os conceitos centrais do trabalho. A formatação dos artigos deve seguir o modelo disponível nas diretrizes para autores, no site da revista.
A RIF também recebe, em fluxo contínuo, artigos sobre temas gerais, entrevistas, ensaios fotográficos e resenhas relacionados à folkcomunicação e à cultura popular. Publicada pelo Programa de Pós-Graduação em Jornalismo da Universidade Estadual de Ponta Grossa, em colaboração com a Rede Folkcom, a revista tem periodicidade semestral e publica, em cada edição, um dossiê sobre um tema relacionado aos estudos folkcomunicacionais.
Mais informações no link a seguir:




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