Ana Paula Miranda integrou conselho de patrimônio do DF como representante da cultura popular
Associada da Rede Folkcom participou do Condepac-DF como membro suplente da sociedade civil entre novembro de 2024 e junho de 2025
A pesquisadora Ana Paula Almeida Miranda, associada da Rede Folkcom, integrou o Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do Distrito Federal (Condepac-DF) como representante suplente da sociedade civil na área de Cultura Popular.
A nomeação foi oficializada pela Portaria nº 300, de 7 de novembro de 2024, publicada no Diário Oficial do Distrito Federal no dia seguinte. Ana Paula permaneceu vinculada ao colegiado até junho de 2025, quando seu desligamento foi formalizado pela Portaria nº 133, publicada em 3 de junho.
Vinculado à Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, o Condepac-DF é um órgão deliberativo, consultivo, fiscalizador e normativo. Sua composição é paritária, reunindo representantes do poder público e da sociedade civil.
Entre suas atribuições estão a proposição de diretrizes para a política de preservação, a deliberação sobre o tombamento de bens materiais e o registro de bens imateriais, além do acompanhamento de ações de proteção, salvaguarda, promoção e valorização do patrimônio cultural do Distrito Federal.
A presença de uma representante da Cultura Popular no colegiado contribui para que celebrações, saberes, formas de expressão, ofícios, lugares de memória e outras práticas coletivas sejam consideradas nas decisões sobre o patrimônio. São manifestações que nem sempre possuem a monumentalidade de um edifício histórico, mas que comunicam pertencimentos, identidades e modos de vida.
É justamente nesse ponto que a atuação institucional se aproxima das pesquisas em Folkcomunicação. A teoria desenvolvida por Luiz Beltrão chama atenção para os processos pelos quais grupos populares produzem, compartilham e preservam informações por meio de linguagens e circuitos próprios. Festas, narrativas orais, artesanato, performances, religiosidades e práticas cotidianas não constituem apenas expressões culturais: também são meios de transmissão de conhecimentos e memórias.
Comunicação, cultura popular e estratégias de valorização
Jornalista e publicitária, Ana Paula é doutora em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com período de pesquisa na Pontifícia Universidade Javeriana, em Bogotá, na Colômbia. Também possui mestrado em Comunicação pela Universidade Católica de Brasília e MBA em Gestão de Marketing.
Suas pesquisas articulam comunicação mercadológica, cultura popular, folkmarketing, comunicação organizacional e economia criativa. Entre suas experiências profissionais estão atividades de assessoria de comunicação e imprensa, consultoria em comunicação estratégica e docência no Centro Universitário Estácio de Brasília, onde atuou entre 2014 e 2017.
Ana Paula também é autora, com Severino Alves de Lucena Filho, do livro “O poder da empatia: comunicação e marketing cultural em cenários de negócios”, publicado pela Editora Appris em 2019.
A obra parte do Festival Folclórico de Parintins para investigar como organizações e marcas se aproximam de manifestações culturais e de seus grupos de referência. Nesse processo, a empatia é apresentada como a capacidade de reconhecer os valores, conhecimentos e formas de pertencimento das comunidades, evitando que a cultura popular seja tratada apenas como cenário ou recurso promocional.
A discussão possui relação direta com os desafios enfrentados pelas políticas de patrimônio. Reconhecer um bem cultural exige mais do que incluí-lo em uma lista oficial. É necessário compreender os sentidos atribuídos a ele pelos grupos que o produzem, praticam e transmitem, além de construir formas de preservação que não afastem as comunidades de suas próprias referências.
Ao integrar o Condepac-DF, Ana Paula levou ao espaço institucional uma trajetória marcada pelo diálogo entre comunicação, cultura popular e estratégias de valorização cultural. Sua participação também registrou a presença da Rede Folkcom em um ambiente de formulação e acompanhamento de políticas públicas voltadas à proteção do patrimônio material e imaterial.





Comentários